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- 1. Custo de produção apurado de verdade
- 2. Crédito de ICMS e IPI aproveitado por inteiro
- 3. Classificação fiscal (NCM) revisada
- 4. Estoque integrado e Bloco K em ordem
- 5. Regime tributário revisto todo ano
- 6. Encargos da folha revisados
- 7. Reforma tributária no planejamento
- 8. Folha preparada para o fim da escala 6x1
- O que um bom contador entrega todo mês
- Perguntas frequentes
- Onde a Ethos entra
A contabilidade de uma indústria é a mais trabalhosa que existe numa empresa pequena ou média. Ela junta tudo o que a distribuidora tem, como ICMS, estoque e substituição tributária, e acrescenta o que só a fábrica tem: IPI, custo de produção, matéria-prima virando produto, crédito sobre máquina e, em muitos casos, o Bloco K.
O problema é que boa parte das indústrias é atendida como se fosse comércio. O contador apura os impostos, entrega as declarações e não olha o custo, o crédito e o estoque com a profundidade que a fábrica exige. O dinheiro perdido não aparece em nenhuma guia. Aparece na margem.
Este texto mostra o que você deve exigir do contador da sua indústria e como conferir se está sendo feito.
1. Custo de produção apurado de verdade
É o ponto de partida. O custo do produto fabricado é formado por:
- Matéria-prima e material de embalagem consumidos
- Mão de obra direta, de quem trabalha na produção, com encargos
- Custos indiretos de fabricação, como energia da fábrica, manutenção, depreciação das máquinas e aluguel do galpão
Sem esse custo, a indústria não sabe a margem de cada produto, precifica no olho e, no Lucro Real, paga imposto sobre um lucro que pode estar errado. O contador deve entregar o custo apurado por mês, integrado ao estoque. O método está em Custo de produção: como calcular.
Como conferir: pergunte qual foi o custo unitário do seu produto principal no último mês e de onde veio o número. Se a resposta for uma porcentagem fixa sobre a venda, o custo não está sendo apurado.
2. Crédito de ICMS e IPI aproveitado por inteiro
A indústria do regime normal aproveita crédito de ICMS e de IPI sobre a matéria-prima, o material de embalagem e o produto intermediário que consome na produção. Cada real de crédito não aproveitado é imposto pago a mais.
Os erros mais comuns:
- Compra lançada como uso e consumo quando é insumo da produção
- Energia elétrica da fábrica sem o crédito de ICMS da parte consumida na produção
- Crédito de máquinas e equipamentos não aproveitado. No ICMS, o crédito do ativo imobilizado é tomado em 48 parcelas mensais, pelo controle chamado CIAP
O detalhe está em Crédito de ICMS na indústria e em IPI: quando a indústria paga.
Como conferir: peça o relatório do CIAP. Se a fábrica comprou máquinas nos últimos anos e o CIAP está vazio, há crédito parado.
3. Classificação fiscal (NCM) revisada
O NCM do produto define a alíquota de IPI, a regra de ICMS, se há substituição tributária e se o PIS e a COFINS são monofásicos. Com a Reforma, ele também vai definir as reduções de IBS e CBS.
NCM errado gera imposto errado em todas as notas, por anos, até alguém perceber. E quem costuma perceber é a fiscalização. Está em NCM errado: o que acontece.
Como conferir: pergunte quando foi a última revisão do cadastro de produtos e quem conferiu o NCM. Se a resposta for "veio do fornecedor" ou "foi o sistema", vale revisar.
4. Estoque integrado e Bloco K em ordem
A indústria controla três estoques: matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado. A contabilidade precisa saber quanto de cada matéria-prima virou cada produto.
Para as indústrias obrigadas, essa informação vai para o Bloco K da EFD ICMS/IPI, que mostra a produção e o consumo de insumos. O fisco usa o Bloco K para cruzar compras, produção e vendas. Inconsistência ali vira presunção de venda sem nota. Está em Bloco K e controle de estoque e em Inventário anual e o que o fisco cruza.
Como conferir: pergunte se a sua empresa está obrigada ao Bloco K e se o arquivo é gerado a partir de uma ficha técnica cadastrada. Se ninguém sabe, a resposta é um risco.
5. Regime tributário revisto todo ano
A indústria tem as quatro portas abertas: Simples, Lucro Presumido, Lucro Real e, dentro do Simples, a opção de pagar IBS e CBS por fora a partir de 2027.
A conta muda muito conforme a margem, o volume de crédito e o perfil dos clientes. Indústria que vende para outras empresas costuma sofrer no Simples, porque passa pouco crédito ao comprador. Indústria com margem apertada e muito crédito costuma ganhar no Lucro Real. Está em Lucro Real ou Presumido para indústria e em Tabela da indústria no Simples.
Como conferir: peça a comparação de regimes do último ano, com os números da sua empresa. Se ela nunca foi feita, é a primeira coisa a pedir.
6. Encargos da folha revisados
A folha da indústria tem um encargo que poucos donos acompanham: o RAT ajustado pelo FAP, que pode variar de 0,5% a 6% da folha conforme o grau de risco da atividade e o histórico de acidentes da empresa. O CNAE errado no cadastro ou um FAP que não foi contestado podem fazer a indústria pagar mais do que deveria. Está em RAT e FAP: como reduzir.
Como conferir: pergunte qual é o seu RAT, qual é o seu FAP e se o FAP do ano foi conferido.
7. Reforma tributária no planejamento
A indústria é o setor em que a Reforma mais mexe. Em 2027 a CBS substitui PIS e COFINS e o IPI fica com alíquota zero na maior parte dos produtos, com exceções. O Imposto Seletivo vai incidir sobre alguns produtos, mas a lei com as alíquotas ainda não saiu. Os benefícios de ICMS vão sendo reduzidos até 2033.
O contador da indústria deve estar trabalhando agora em:
- Revisão do NCM de todos os produtos, base das alíquotas novas
- Simulação do preço e da margem com CBS e IBS
- Levantamento do saldo credor de ICMS, para não perder na transição
- Impacto do fim dos benefícios fiscais, se a fábrica tem algum
Está em Reforma tributária na indústria e em Indústria com benefício fiscal e a Reforma.
8. Folha preparada para o fim da escala 6x1
A indústria com turnos de seis dias vai precisar refazer a escala. O Senado aprovou em outubro de 2026 a emenda que reduz a jornada para 42 horas 60 dias depois da promulgação e para 40 horas um ano depois disso, com duas folgas e sem redução de salário. A hora de trabalho fica cerca de 10% mais cara, e a mão de obra direta entra no custo de cada produto.
O contador e o departamento pessoal devem simular agora o custo da escala nova, refazer o custo de produção com a hora mais cara e mostrar o efeito na margem de cada linha. Está em Fim da escala 6x1: o que muda para a empresa.
Como conferir: pergunte quantos funcionários da produção trabalham seis dias e quanto a folha deles sobe com 40 horas. Se ninguém fez essa conta, ela vai aparecer na margem em 2027.
O que um bom contador entrega todo mês
Para resumir, a rotina mínima de uma indústria bem atendida é:
- Balancete mensal com o custo de produção apurado
- Apuração de ICMS, IPI, PIS e COFINS com todos os créditos
- Conciliação de estoque entre sistema, físico e contabilidade
- Folha com RAT e FAP conferidos
- Relatório curto para o dono: faturamento, margem, impostos pagos e o que vem pela frente
Se você recebe só as guias para pagar, falta a metade mais importante.
Perguntas frequentes
Indústria do Simples também precisa de custo de produção?
Precisa, para precificar e saber a margem. A apuração do DAS não depende do custo, mas a sobrevivência da fábrica depende.
O sistema de gestão da fábrica já faz isso?
O sistema registra a produção e as notas. A regra fiscal, o custo e o crédito são configurados por alguém e precisam ser conferidos. Sistema bem configurado facilita muito o trabalho do contador, mas não o substitui.
Dá para recuperar crédito antigo que não foi aproveitado?
Em geral, sim, dentro do prazo de cinco anos e com a documentação das compras. Cada estado tem regra própria para o crédito extemporâneo de ICMS.
Contabilidade de indústria pode ser feita a distância?
Pode. Notas, SPED e extratos são digitais. Para custo e estoque, o contador precisa de acesso de consulta ao sistema de gestão e de conversas periódicas com quem cuida da produção.
Como trocar de contador sem bagunçar a produção?
A troca segue uma ordem para não travar a emissão de notas nem o estoque. O passo a passo está em Como trocar de contador sendo indústria.
Onde a Ethos entra
Atendemos indústrias com apuração de custo, aproveitamento de crédito de ICMS e IPI, revisão de NCM, Bloco K e planejamento para a Reforma. Veja como atendemos indústrias, ou conte como está a sua fábrica pela página de contato.
Vai abrir ou revisar a empresa? Veja os CNAEs para indústrias de alimentos e cosméticos, com o anexo do Simples e se aceita MEI.
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