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Indústria

Custo de produção: como calcular de verdade

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Imagem de capa do artigo: Custo de produção: como calcular de verdade
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  1. Os três componentes
  2. O rateio dos custos indiretos
  3. O que não entra no custo de produção
  4. Perdas, refugo e retrabalho
  5. O ponto de partida: o apontamento
  6. Como usar o resultado
  7. Um exemplo prático
  8. O erro de precificar pelo markup sobre matéria-prima
  9. Perguntas frequentes
  10. Onde a Ethos entra

A maior parte das indústrias pequenas e médias não sabe quanto custa fabricar cada produto. O preço é definido por um percentual sobre a matéria-prima, e o resto se ajusta pelo que o mercado aceita.

O efeito é que a empresa empurra volume em produto que dá pouco ou nenhum lucro, e às vezes recusa produto que daria margem melhor.

Este texto mostra o método que resolve isso.

Os três componentes

1. Matéria-prima e material direto

Tudo que é consumido no produto e é identificável nele: matéria-prima, componentes, embalagem de apresentação.

O valor é o custo de aquisição, ajustado pelos créditos de imposto quando a empresa os aproveita. Isso importa: no Lucro Real ou Presumido, a indústria aproveita crédito de ICMS, PIS e COFINS, então o custo real do insumo é menor que o valor da nota. No Simples, dentro do sublimite, não há crédito, e o custo é o valor cheio.

Errar esse ajuste distorce o custo de todos os produtos ao mesmo tempo.

2. Mão de obra direta

O custo das pessoas que trabalham diretamente na produção.

Não é o salário: é o custo cheio, com encargos, FGTS e as provisões de férias e décimo terceiro. E o multiplicador muda conforme o regime, porque no Simples a contribuição patronal está dentro do DAS.

O que transforma isso em custo por produto é o apontamento de horas. Sem saber quantas horas cada produto consumiu, não há como ratear.

3. Custo indireto de fabricação

Tudo que é necessário para produzir e não é identificável em um produto específico: energia, aluguel do galpão, manutenção, depreciação de máquinas, supervisão, material de consumo.

Esse é o componente que exige critério de rateio, e é onde a maior parte dos cálculos falha.

O rateio dos custos indiretos

O critério precisa ter relação com o consumo real do recurso. Os mais usados:

Horas-máquina. Bom quando o custo indireto é dominado por depreciação e energia de equipamento.

Horas de mão de obra direta. Bom quando o processo é intensivo em pessoas.

Volume produzido. Simples, e só funciona quando os produtos são parecidos em complexidade.

Área ocupada. Usado para ratear aluguel entre setores.

O erro clássico é ratear tudo por volume quando os produtos têm complexidade muito diferente. Nesse caso o produto simples subsidia o complexo, e a empresa vende o complexo achando que ele dá margem.

O que não entra no custo de produção

Vale separar, porque a confusão é comum:

Despesa administrativa. Contabilidade, escritório, telefone. É despesa do período, não custo do produto.

Despesa comercial. Comissão, frete de venda, marketing.

Despesa financeira. Juros de empréstimo.

Imposto sobre venda. Ele incide sobre a receita e entra na formação do preço, não no custo de produção.

Misturar despesa administrativa no custo de produção infla o custo e distorce a decisão de continuar ou não com um produto.

Perdas, refugo e retrabalho

Toda indústria tem perda, e ela precisa estar no custo.

Perda normal, inerente ao processo, entra no custo dos produtos bons. Se um lote de 100 gera 5 unidades refugadas, o custo se distribui entre as 95 que saíram.

Perda anormal, decorrente de falha, acidente ou problema pontual, é tratada como perda do período e não infla o custo do produto.

Distinguir as duas exige registro. Sem apontamento de refugo, tudo vira custo do produto, o que esconde ineficiência.

E existe o efeito fiscal: perda não registrada gera diferença de estoque, que é o que o fisco cruza. Está em Inventário anual e o que o fisco cruza.

O ponto de partida: o apontamento

Nenhum método funciona sem dado. O mínimo que a fábrica precisa registrar:

  1. O que foi produzido, por produto e quantidade
  2. Quanto de matéria-prima foi consumido em cada ordem de produção
  3. Quantas horas foram gastas, por pessoa ou por máquina
  4. Quanto foi refugado ou retrabalhado

Com esses quatro, o custo se calcula. Sem eles, ele é estimativa.

O apontamento também é o que alimenta o Bloco K, então ele resolve duas coisas ao mesmo tempo. Está em Bloco K e controle de estoque: o que enviar.

Como usar o resultado

Sabendo o custo por produto, três decisões ficam possíveis:

Precificação. O preço precisa cobrir o custo de produção, as despesas do período rateadas, o imposto sobre a venda e a margem desejada.

Mix de produtos. Descobrir qual produto dá margem e qual não dá muda o que a empresa promove.

Investimento. Saber quanto da capacidade cada produto consome mostra onde o gargalo está.

A terceira é a que costuma trazer o resultado mais rápido: produto que ocupa muito a máquina e dá pouca margem é o que segura a fábrica inteira.

Um exemplo prático

Uma fábrica produz dois itens, A e B, no mesmo mês.

Matéria-prima: R$ 30.000 no produto A e R$ 10.000 no produto B, conforme as requisições de material.

Mão de obra direta: R$ 20.000 no total. O apontamento mostra 600 horas em A e 400 horas em B, o que dá R$ 12.000 e R$ 8.000.

Custo indireto: R$ 15.000 no total, incluindo energia, aluguel, manutenção e depreciação.

Aqui entra o critério. Se ratear por horas de mão de obra, na proporção 600 para 400, A recebe R$ 9.000 e B recebe R$ 6.000.

Custo total: A fica com R$ 51.000 e B com R$ 24.000.

Dividindo pelas unidades produzidas de cada um, aparece o custo unitário.

O ponto que vale destacar: se a fábrica tivesse rateado o custo indireto por volume produzido, e A fosse um produto de baixo volume e alta complexidade, o resultado seria completamente diferente, e provavelmente errado.

O erro de precificar pelo markup sobre matéria-prima

É o método mais usado nas indústrias pequenas: pegar o custo da matéria-prima e multiplicar por um fator.

Ele funciona quando todos os produtos têm a mesma relação entre matéria-prima e os demais custos. E essa condição quase nunca é verdadeira.

Produto que consome pouca matéria-prima e muita hora de máquina fica subprecificado. Produto que consome muita matéria-prima e pouco processo fica superprecificado, e a empresa perde venda para a concorrência.

O resultado típico: a fábrica vende bem o produto que dá menos margem, e não entende por que o volume cresce e o lucro não.

Perguntas frequentes

Como formo o preço a partir do custo?

O preço precisa cobrir o custo de produção, as despesas do período rateadas, o imposto sobre a venda e a margem desejada. O erro comum é aplicar a margem sobre o custo e esquecer que o imposto incide sobre o preço final, e não sobre o custo.

Custeio por absorção ou variável?

O custeio por absorção, que rateia os custos indiretos aos produtos, é o exigido para fins fiscais e societários. O custeio variável, que trata os indiretos como despesa do período, é útil para decisão gerencial. Muita indústria usa os dois, para finalidades diferentes.

Como trato produto fabricado por terceiro?

Industrialização por encomenda entra no custo pelo valor do serviço mais o material fornecido. E o material em poder de terceiro precisa aparecer no controle de estoque.

Preciso de sistema?

Precisa de apontamento estruturado. Planilha resolve para operação pequena com poucos produtos. Com muitos produtos e ordens, o sistema vira necessidade.

O crédito de imposto muda o custo?

Muda. Fora do Simples, o crédito de ICMS, PIS e COFINS reduz o custo real do insumo. Está em Crédito de ICMS na indústria.

O custo muda se eu produzir mais?

Muda o custo unitário, porque o custo fixo se dilui em mais unidades. É por isso que a capacidade utilizada precisa entrar no cálculo: custo apurado com fábrica ociosa é maior que o custo em plena carga.

Com que frequência devo recalcular?

Sempre que mudar preço de insumo relevante, estrutura de folha ou mix de produção. Na prática, uma revisão trimestral funciona bem.

Como trato a depreciação das máquinas?

Ela é custo indireto de fabricação e entra no rateio, conforme o critério adotado.

E os produtos em elaboração no fim do mês?

Eles têm custo acumulado até o estágio em que estão, e compõem o estoque de produtos em processo. Isso aparece no inventário e no Bloco K.

Meu contador diz que no Simples isso não importa. Está certo?

Não. O regime tributário muda a apuração de imposto, não a necessidade de saber quanto custa produzir. Preço formado sem custo real é problema comercial, independentemente do regime.

Onde a Ethos entra

Montamos a memória de cálculo do custo com o critério de rateio explicitado, a partir do apontamento da fábrica, para o preço deixar de ser chute. Veja como atendemos indústrias ou fale com a gente.

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