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- Os três jeitos de ser contratado de fora
- Passo 1: abrir a empresa certa
- Passo 2: o contrato
- Passo 3: os formulários do cliente
- Passo 4: a invoice e a nota fiscal
- Passo 5: receber o dinheiro
- Passo 6: os impostos
- Passo 7: a variação cambial
- Quanto cobrar
- O primeiro mês, na prática
- Os erros que mais aparecem
- Perguntas frequentes
- Onde a Ethos entra
Trabalhar para uma empresa de fora, recebendo em dólar ou euro, virou o objetivo de muito dev brasileiro. A contratação remota se consolidou, e o dev brasileiro costuma custar bem menos para uma empresa americana ou europeia do que um profissional local do mesmo nível. Para o dev, a remuneração em moeda forte e a exportação de serviço, com menos impostos, tornam a conta muito atraente.
O caminho mais comum é como PJ: você abre uma empresa no Brasil, presta o serviço para a empresa estrangeira, emite a nota e recebe do exterior. Este texto mostra o passo a passo, do contrato ao primeiro dinheiro na conta, e os cuidados que evitam imposto a mais.
Os três jeitos de ser contratado de fora
Contrato direto como PJ. A empresa estrangeira contrata a sua empresa brasileira como prestadora de serviço. Você emite a nota e recebe da empresa lá fora.
Via plataforma, como contractor. Plataformas como Deel e Remote intermediam o contrato e o pagamento. Você continua sendo PJ, e a plataforma paga em nome do cliente.
Via plataforma, como empregado. A plataforma contrata você pela CLT, no Brasil, usando uma empresa local, e cede o seu trabalho para o cliente. Você vira empregado, com carteira. Está em Deel, Remote e EOR: como funciona para o dev.
Este texto trata dos dois primeiros, em que você é PJ.
Passo 1: abrir a empresa certa
Dev não pode ser MEI, porque programação não está entre as atividades permitidas. Está em Desenvolvedor pode ser MEI?.
O caminho é uma sociedade limitada unipessoal ou uma limitada com sócios, com o CNAE de desenvolvimento de software. O código importa, porque define o anexo do Simples e a tributação. Está em CNAE para desenvolvedor de software.
A escolha do regime, Simples ou Lucro Presumido, deve ser feita já pensando na exportação. Está em Simples ou Presumido para dev que ganha em dólar em 2026.
Passo 2: o contrato
O contrato com a empresa estrangeira costuma vir pronto, em inglês, como "independent contractor agreement". Antes de assinar, alguns pontos mexem no seu imposto e no seu risco:
- O contratado deve ser a sua empresa, com a razão social e o CNPJ, e não você como pessoa física
- O objeto deve descrever o serviço prestado
- A moeda e a forma de pagamento
- O local de execução, que é o Brasil, e onde o resultado é aproveitado, que é o exterior
- A propriedade intelectual do código
- A rescisão, com aviso prévio
Está em Contrato internacional de prestação de serviço para dev.
Passo 3: os formulários do cliente
Empresas americanas costumam pedir o formulário W-8BEN-E, que declara que a sua empresa é estrangeira para fins fiscais dos Estados Unidos. Ele evita que o cliente retenha imposto americano sobre o pagamento. Está em Formulário W-8BEN-E: o que é e como o dev PJ preenche.
Passo 4: a invoice e a nota fiscal
A empresa estrangeira costuma pedir uma invoice, uma fatura comercial em inglês, com os dados da sua empresa, do cliente, do serviço e do valor em moeda estrangeira.
No Brasil, a sua empresa também precisa emitir nota fiscal de serviço, conforme as regras do seu município, indicando o tomador no exterior. É ela que registra a receita para os impostos brasileiros. Está em Como emitir nota fiscal para cliente do exterior.
Passo 5: receber o dinheiro
O dinheiro do exterior precisa entrar no Brasil. As opções mais usadas:
- Conta em banco tradicional que recebe a transferência internacional e faz o câmbio
- Plataformas de pagamento internacional, que recebem em moeda estrangeira e convertem para reais
- Conta global em moeda estrangeira de instituição autorizada
A escolha muda o custo do câmbio e o prazo. E há um ponto tributário: para a receita ser tratada como exportação de serviço, com isenção de PIS e COFINS, o pagamento precisa representar ingresso de divisas no Brasil. Guardar o contrato de câmbio ou o comprovante da conversão é essencial. Está em Receber em dólar na PJ: câmbio e conta.
Passo 6: os impostos
Quando o serviço é exportação:
- PIS e COFINS não incidem, com o ingresso de divisas
- ISS não incide quando o resultado do serviço é verificado no exterior, e a interpretação varia por município
- IRPJ e CSLL incidem normalmente, no Simples ou no Presumido
No Simples, a parcela de ISS, PIS e COFINS sai do DAS da receita de exportação. No Presumido, esses tributos não incidem. Está em Exportação de serviço paga quais impostos?.
E na pessoa física, o pró-labore paga INSS e imposto de renda, e o lucro distribuído segue as regras de 2026. Está em Imposto sobre dividendos em 2026: o que muda para o dev PJ.
Passo 7: a variação cambial
Entre a emissão da nota e o recebimento, o câmbio muda. A diferença entre o valor em reais na emissão e o valor efetivamente recebido é variação cambial, que tem tratamento contábil e fiscal próprio. Está em Variação cambial: como contabilizar.
Quanto cobrar
Uma dúvida que aparece antes de tudo: quanto pedir? A empresa estrangeira costuma pensar em valor anual ou por hora, em dólar. Para você, a conta precisa ser feita no líquido em reais, porque é ele que paga as contas.
Três pontos para considerar na negociação:
Os custos que a empresa não paga. Férias, 13º, plano de saúde e equipamento ficam com você. Se o contrato não prevê pagamento nas férias, o valor mensal precisa cobrir os meses parados.
O câmbio. Uma queda do dólar reduz a sua receita em reais. Contrato de longo prazo em moeda estrangeira traz esse risco.
O imposto. Com a exportação de serviço, a carga da empresa é baixa, mas o dinheiro ainda passa pela pessoa física. Para quem distribui muito lucro, entram a retenção de 10% acima de R$ 50 mil por mês e o IR mínimo acima de R$ 600 mil por ano.
O primeiro mês, na prática
- Empresa aberta com CNPJ, inscrição municipal e certificado digital
- Contrato assinado em nome da empresa
- W-8BEN-E ou formulário equivalente entregue ao cliente
- Conta para receber definida e testada
- Invoice enviada no fim do primeiro período trabalhado
- Nota fiscal emitida no Brasil, com o tomador no exterior
- Recebimento e câmbio documentados
- Pró-labore e DAS do mês, com a receita informada como exportação
A partir do segundo mês, a rotina se repete, e o contador cuida da apuração.
Os erros que mais aparecem
Assinar o contrato como pessoa física. O cliente paga você, e não a sua empresa. A receita fica na pessoa física, com imposto muito maior.
Não emitir nota fiscal no Brasil. A invoice não substitui a nota.
Tratar a receita como nacional. Pagar PIS, COFINS e ISS que não eram devidos.
Não guardar o comprovante do câmbio. Sem ele, a isenção fica difícil de sustentar.
Ignorar o Fator R. No Simples, sem pró-labore suficiente, a empresa cai no Anexo V.
Contador que não conhece exportação. O erro se repete todo mês. Está em Contador que não entende recebimento do exterior.
Perguntas frequentes
Preciso de empresa para trabalhar para fora?
Não é obrigatório, mas como pessoa física o imposto de renda chega a 27,5% pelo carnê-leão. Com empresa, a carga costuma ser bem menor.
Posso receber em dólar e manter em dólar?
Algumas instituições oferecem conta em moeda estrangeira. Para a isenção de PIS e COFINS da exportação, o ponto é o ingresso de divisas no Brasil, que precisa ser documentado.
A empresa estrangeira precisa de algo do Brasil?
Normalmente só o contrato, a invoice e os formulários fiscais do país dela, como o W-8BEN-E para empresas americanas.
Pago imposto nos Estados Unidos?
Em regra, não, quando o serviço é prestado do Brasil por uma empresa brasileira e o W-8BEN-E foi entregue. O Brasil não tem tratado para evitar dupla tributação com os Estados Unidos, por isso o formulário é importante.
Preciso falar inglês com o contador?
Não. O contrato e a invoice ficam em inglês, mas a contabilidade, a nota fiscal e os impostos seguem as regras brasileiras.
Quanto tempo leva para começar?
A abertura da empresa costuma levar algumas semanas. O contrato e os formulários podem correr em paralelo.
Onde a Ethos entra
Abrimos a empresa com o CNAE e o regime certos para exportação, acertamos a nota, o câmbio e os impostos e cuidamos do Fator R e dos dividendos. Veja como atendemos devs que trabalham para o exterior e tecnologia e desenvolvedores, ou fale conosco.
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