Pular para o conteúdo
Ethos Contabilidade
Tecnologia

Como trabalhar para empresa gringa sendo PJ

Imagem de capa do artigo: Como trabalhar para empresa gringa sendo PJ
Navegue rápido pelo artigo
  1. Os três jeitos de ser contratado de fora
  2. Passo 1: abrir a empresa certa
  3. Passo 2: o contrato
  4. Passo 3: os formulários do cliente
  5. Passo 4: a invoice e a nota fiscal
  6. Passo 5: receber o dinheiro
  7. Passo 6: os impostos
  8. Passo 7: a variação cambial
  9. Quanto cobrar
  10. O primeiro mês, na prática
  11. Os erros que mais aparecem
  12. Perguntas frequentes
  13. Onde a Ethos entra

Trabalhar para uma empresa de fora, recebendo em dólar ou euro, virou o objetivo de muito dev brasileiro. A contratação remota se consolidou, e o dev brasileiro costuma custar bem menos para uma empresa americana ou europeia do que um profissional local do mesmo nível. Para o dev, a remuneração em moeda forte e a exportação de serviço, com menos impostos, tornam a conta muito atraente.

O caminho mais comum é como PJ: você abre uma empresa no Brasil, presta o serviço para a empresa estrangeira, emite a nota e recebe do exterior. Este texto mostra o passo a passo, do contrato ao primeiro dinheiro na conta, e os cuidados que evitam imposto a mais.

Os três jeitos de ser contratado de fora

Contrato direto como PJ. A empresa estrangeira contrata a sua empresa brasileira como prestadora de serviço. Você emite a nota e recebe da empresa lá fora.

Via plataforma, como contractor. Plataformas como Deel e Remote intermediam o contrato e o pagamento. Você continua sendo PJ, e a plataforma paga em nome do cliente.

Via plataforma, como empregado. A plataforma contrata você pela CLT, no Brasil, usando uma empresa local, e cede o seu trabalho para o cliente. Você vira empregado, com carteira. Está em Deel, Remote e EOR: como funciona para o dev.

Este texto trata dos dois primeiros, em que você é PJ.

Passo 1: abrir a empresa certa

Dev não pode ser MEI, porque programação não está entre as atividades permitidas. Está em Desenvolvedor pode ser MEI?.

O caminho é uma sociedade limitada unipessoal ou uma limitada com sócios, com o CNAE de desenvolvimento de software. O código importa, porque define o anexo do Simples e a tributação. Está em CNAE para desenvolvedor de software.

A escolha do regime, Simples ou Lucro Presumido, deve ser feita já pensando na exportação. Está em Simples ou Presumido para dev que ganha em dólar em 2026.

Passo 2: o contrato

O contrato com a empresa estrangeira costuma vir pronto, em inglês, como "independent contractor agreement". Antes de assinar, alguns pontos mexem no seu imposto e no seu risco:

  • O contratado deve ser a sua empresa, com a razão social e o CNPJ, e não você como pessoa física
  • O objeto deve descrever o serviço prestado
  • A moeda e a forma de pagamento
  • O local de execução, que é o Brasil, e onde o resultado é aproveitado, que é o exterior
  • A propriedade intelectual do código
  • A rescisão, com aviso prévio

Está em Contrato internacional de prestação de serviço para dev.

Passo 3: os formulários do cliente

Empresas americanas costumam pedir o formulário W-8BEN-E, que declara que a sua empresa é estrangeira para fins fiscais dos Estados Unidos. Ele evita que o cliente retenha imposto americano sobre o pagamento. Está em Formulário W-8BEN-E: o que é e como o dev PJ preenche.

Passo 4: a invoice e a nota fiscal

A empresa estrangeira costuma pedir uma invoice, uma fatura comercial em inglês, com os dados da sua empresa, do cliente, do serviço e do valor em moeda estrangeira.

No Brasil, a sua empresa também precisa emitir nota fiscal de serviço, conforme as regras do seu município, indicando o tomador no exterior. É ela que registra a receita para os impostos brasileiros. Está em Como emitir nota fiscal para cliente do exterior.

Passo 5: receber o dinheiro

O dinheiro do exterior precisa entrar no Brasil. As opções mais usadas:

  • Conta em banco tradicional que recebe a transferência internacional e faz o câmbio
  • Plataformas de pagamento internacional, que recebem em moeda estrangeira e convertem para reais
  • Conta global em moeda estrangeira de instituição autorizada

A escolha muda o custo do câmbio e o prazo. E há um ponto tributário: para a receita ser tratada como exportação de serviço, com isenção de PIS e COFINS, o pagamento precisa representar ingresso de divisas no Brasil. Guardar o contrato de câmbio ou o comprovante da conversão é essencial. Está em Receber em dólar na PJ: câmbio e conta.

Passo 6: os impostos

Quando o serviço é exportação:

  • PIS e COFINS não incidem, com o ingresso de divisas
  • ISS não incide quando o resultado do serviço é verificado no exterior, e a interpretação varia por município
  • IRPJ e CSLL incidem normalmente, no Simples ou no Presumido

No Simples, a parcela de ISS, PIS e COFINS sai do DAS da receita de exportação. No Presumido, esses tributos não incidem. Está em Exportação de serviço paga quais impostos?.

E na pessoa física, o pró-labore paga INSS e imposto de renda, e o lucro distribuído segue as regras de 2026. Está em Imposto sobre dividendos em 2026: o que muda para o dev PJ.

Passo 7: a variação cambial

Entre a emissão da nota e o recebimento, o câmbio muda. A diferença entre o valor em reais na emissão e o valor efetivamente recebido é variação cambial, que tem tratamento contábil e fiscal próprio. Está em Variação cambial: como contabilizar.

Quanto cobrar

Uma dúvida que aparece antes de tudo: quanto pedir? A empresa estrangeira costuma pensar em valor anual ou por hora, em dólar. Para você, a conta precisa ser feita no líquido em reais, porque é ele que paga as contas.

Três pontos para considerar na negociação:

Os custos que a empresa não paga. Férias, 13º, plano de saúde e equipamento ficam com você. Se o contrato não prevê pagamento nas férias, o valor mensal precisa cobrir os meses parados.

O câmbio. Uma queda do dólar reduz a sua receita em reais. Contrato de longo prazo em moeda estrangeira traz esse risco.

O imposto. Com a exportação de serviço, a carga da empresa é baixa, mas o dinheiro ainda passa pela pessoa física. Para quem distribui muito lucro, entram a retenção de 10% acima de R$ 50 mil por mês e o IR mínimo acima de R$ 600 mil por ano.

O primeiro mês, na prática

  1. Empresa aberta com CNPJ, inscrição municipal e certificado digital
  2. Contrato assinado em nome da empresa
  3. W-8BEN-E ou formulário equivalente entregue ao cliente
  4. Conta para receber definida e testada
  5. Invoice enviada no fim do primeiro período trabalhado
  6. Nota fiscal emitida no Brasil, com o tomador no exterior
  7. Recebimento e câmbio documentados
  8. Pró-labore e DAS do mês, com a receita informada como exportação

A partir do segundo mês, a rotina se repete, e o contador cuida da apuração.

Os erros que mais aparecem

Assinar o contrato como pessoa física. O cliente paga você, e não a sua empresa. A receita fica na pessoa física, com imposto muito maior.

Não emitir nota fiscal no Brasil. A invoice não substitui a nota.

Tratar a receita como nacional. Pagar PIS, COFINS e ISS que não eram devidos.

Não guardar o comprovante do câmbio. Sem ele, a isenção fica difícil de sustentar.

Ignorar o Fator R. No Simples, sem pró-labore suficiente, a empresa cai no Anexo V.

Contador que não conhece exportação. O erro se repete todo mês. Está em Contador que não entende recebimento do exterior.

Perguntas frequentes

Preciso de empresa para trabalhar para fora?

Não é obrigatório, mas como pessoa física o imposto de renda chega a 27,5% pelo carnê-leão. Com empresa, a carga costuma ser bem menor.

Posso receber em dólar e manter em dólar?

Algumas instituições oferecem conta em moeda estrangeira. Para a isenção de PIS e COFINS da exportação, o ponto é o ingresso de divisas no Brasil, que precisa ser documentado.

A empresa estrangeira precisa de algo do Brasil?

Normalmente só o contrato, a invoice e os formulários fiscais do país dela, como o W-8BEN-E para empresas americanas.

Pago imposto nos Estados Unidos?

Em regra, não, quando o serviço é prestado do Brasil por uma empresa brasileira e o W-8BEN-E foi entregue. O Brasil não tem tratado para evitar dupla tributação com os Estados Unidos, por isso o formulário é importante.

Preciso falar inglês com o contador?

Não. O contrato e a invoice ficam em inglês, mas a contabilidade, a nota fiscal e os impostos seguem as regras brasileiras.

Quanto tempo leva para começar?

A abertura da empresa costuma levar algumas semanas. O contrato e os formulários podem correr em paralelo.

Onde a Ethos entra

Abrimos a empresa com o CNAE e o regime certos para exportação, acertamos a nota, o câmbio e os impostos e cuidamos do Fator R e dos dividendos. Veja como atendemos devs que trabalham para o exterior e tecnologia e desenvolvedores, ou fale conosco.

Material gratuito

O ajuste que faz uma empresa de serviço pagar metade do imposto

Duas clínicas faturam os mesmos R$ 30 mil por mês. Uma paga R$ 2.580 de imposto, a outra paga R$ 5.025. A diferença tem nome, tem fórmula, e dá para conferir em cinco minutos.

  • Como a alíquota efetiva funciona, com exemplo resolvido
  • A régua dos 28% e as duas tabelas lado a lado
  • A conta de quando aumentar o pró-labore compensa

Guia do Fator R em PDF

8 páginas · leitura de 10 minutos · tabelas de 2026

Baixar gratuitamente