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A abertura em si é a menor parte da conta. O que decide se a agência fecha o mês é o custo fixo que começa junto com o CNPJ e cresce com a equipe.
Vale separar o que se paga uma vez do que passa a ser recorrente, e enxergar desde já os itens que agência costuma esquecer no primeiro orçamento: ferramentas, freelancer e o imposto sobre um faturamento que inclui repasse de mídia.
O que se paga uma vez
Taxas de registro
Junta Comercial, cadastro federal e prefeitura. Os valores mudam de estado para estado e de cidade para cidade, e é por isso que nenhum escritório sério dá número fechado sem saber onde a empresa será aberta.
A parte federal é a mais barata. A municipal é a que mais varia.
Honorário de abertura
O trabalho de redigir o contrato social, registrar e enquadrar no regime. Cobrado à parte da mensalidade.
Para agência, esse trabalho inclui uma decisão de maior peso que a média: qual CNAE declarar, porque ele define o anexo do Simples. Está em CNAE de agência de publicidade: qual usar.
Certificado digital
Obrigatório para as obrigações fiscais e para a emissão de nota em boa parte dos municípios.
Contrato social bem-feito, quando há sócios
Agência costuma nascer entre dois sócios com perfis complementares. O contrato que define divisão de lucro, decisões e saída custa algumas centenas na abertura e evita a discussão que desfaz sociedade no terceiro ano.
O custo fixo que começa junto
Honorário contábil mensal. Agência dá mais trabalho que a média quando tem equipe, freelancer e repasse de mídia.
Imposto sobre o faturamento. A alíquota depende da faixa e do anexo. A conta sai na calculadora do Simples Nacional.
Pró-labore e a contribuição previdenciária sobre ele. Não é opcional para quem trabalha na própria empresa, e na agência ele tem um segundo papel: compõe a folha do Fator R. Está em Pró-labore de sócio de agência.
Ferramentas. É o custo que agência mais subestima. Plataforma de gestão, banco de imagens, ferramenta de agendamento, ferramenta de análise, licenças de criação. Somadas, viram uma linha relevante do orçamento mensal, e quase todas são cobradas em dólar.
Conta bancária empresarial.
O que agência esquece no orçamento
O imposto sobre o repasse de mídia
O maior de todos, e o menos previsto.
Comprando mídia no próprio CNPJ e sendo reembolsada, a agência registra aquele valor como receita e paga imposto sobre ele. O dinheiro passou e foi embora, e o imposto ficou.
Pior: esse valor infla o faturamento e empurra a agência para faixas mais altas do Simples, encarecendo também o imposto sobre a receita própria.
Está em Repasse de mídia entra no faturamento?, e resolver isso é decisão de estrutura, não de fechamento.
O custo do freelancer
Agência trabalha com demanda variável e resolve com freelancer. O custo aparece no mês em que a demanda existe, e ele precisa estar no preço do projeto.
O cuidado é de formalização: contratação recorrente, com horário e subordinação, cria as condições que caracterizam vínculo. Está em Freelancer: como contratar sem criar vínculo.
A primeira contratação CLT
Quando chega, ela custa bem mais que o salário. FGTS, provisões de férias e décimo terceiro, e o que a convenção coletiva exigir.
E existe um retorno que quase nunca entra na conta: a contratação melhora o Fator R e pode derrubar o anexo. Está em Contratar o primeiro CLT na agência, e a conta sai na calculadora de custo de funcionário.
A sazonalidade
Agência tem mês forte e mês fraco, e o custo fixo não acompanha. O caixa precisa atravessar o mês em que dois clientes saem juntos.
Uma estimativa honesta
Não existe valor único, e quem publica um está chutando. O que dá para dizer com precisão é a composição:
- Taxas de registro, conforme o estado e a cidade
- Honorário de abertura
- Certificado digital
- Contrato social, quando há sócios
- Honorário contábil mensal, a partir do primeiro mês
- Imposto sobre o faturamento, a partir da primeira nota
- Ferramentas, a partir do primeiro dia
- Pró-labore e a contribuição sobre ele
Os itens 1 a 4 são de abertura. Os demais são permanentes, e é a soma deles que define o faturamento mínimo para a agência se sustentar.
A estimativa da parte inicial sai na calculadora de custo para abrir empresa.
O ponto de equilíbrio
A conta que vale fazer antes de abrir.
Some o custo fixo mensal: honorário contábil, ferramentas, pró-labore com a contribuição, e o custo de qualquer pessoa já contratada. Divida pelo percentual que sobra depois do imposto e do custo direto de entrega.
O resultado é quanto a agência precisa faturar para não dar prejuízo.
Duas coisas que essa conta revela:
O peso das ferramentas. Em agência pequena, elas costumam representar mais que o honorário contábil.
O efeito do anexo. Estar no Anexo V em vez do III muda o percentual que sobra, e pode significar vários milhares de reais de faturamento adicional necessário por mês. Está em Anexo III ou V para agência: a diferença na conta.
O primeiro ano em três fases
O custo não é linear, e saber disso ajuda a dimensionar a reserva.
Meses 1 a 3. Custo de abertura mais o fixo começando. O faturamento ainda é baixo e o imposto acompanha. É a fase de menor pressão em valor absoluto e a de maior pressão relativa, porque a receita ainda não existe.
Meses 4 a 8. O faturamento cresce e o imposto acompanha. Aparecem os custos de crescimento: mais ferramentas, primeiro freelancer recorrente, e a necessidade de organizar processo.
Meses 9 a 12. A pergunta da contratação aparece, e com ela a conta do Fator R. É quando a decisão de estrutura tomada na abertura mostra o resultado.
A reserva que faz diferença é a da primeira fase. Empresa aberta gera obrigação mensal desde o primeiro dia, faturando ou não.
O erro de subdimensionar o pró-labore
Um ponto que atrapalha no primeiro ano.
Sócio que registra o mínimo possível para economizar acha que está protegendo o caixa. Na prática, ele está mantendo a folha baixa, o Fator R no chão e o anexo caro.
A conta que vale fazer já no primeiro semestre: quanto de pró-labore atinge os 28%, e quanto isso economiza de imposto sobre todo o faturamento.
Para boa parte das agências, a economia supera o custo da contribuição sobre o valor adicional. Está em Pró-labore de sócio de agência.
Perguntas frequentes
Quanto custa abrir uma agência?
O registro varia por estado e cidade. Some honorário de abertura, certificado digital e, havendo sócios, o contrato social.
Preciso de escritório físico?
Depende do município e da atividade. Trabalho remoto costuma admitir endereço residencial, e a regra é local.
Posso começar como MEI?
Depende da ocupação, e boa parte das atividades de marketing ficou fora da lista. Está em Social media pode ser MEI?.
Quanto preciso faturar para me sustentar?
Some o custo fixo e divida pelo que sobra depois do imposto e do custo de entrega. É o ponto de equilíbrio.
O honorário contábil de agência é mais caro?
Costuma ser quando há equipe, freelancer e repasse de mídia, porque o trabalho mensal aumenta.
Preciso pagar contador em mês sem faturamento?
Precisa. A obrigação acessória existe faturando ou não, e a falta de entrega gera multa mesmo com receita zero.
Ferramentas entram como despesa?
Entram, e vale registrar todas. Além do controle, elas ganharão relevância com o crédito amplo do novo modelo tributário. Está em Reforma tributária na agência: o que muda.
Devo abrir antes de ter cliente?
Normalmente não. A empresa gera obrigação mensal e custo fixo desde o primeiro dia.
Quanto custa o certificado digital?
Depende do tipo e da validade. É o item mais previsível da lista.
Tem custo para encerrar se não der certo?
Tem, e ele é maior que o de abrir, porque exige regularidade fiscal e baixa nos três níveis.
Vale abrir com sócio para dividir custo?
Divide custo e cria a necessidade de um contrato social bem-feito. Está em Contrato de agência: o que precisa ter.
Como coloco esses custos no preço?
Pelo fee, com hora de equipe, imposto e margem embutidos. Está em Precificar fee mensal de agência.
Onde a Ethos entra
Montamos o orçamento da agência com o repasse de mídia estruturado desde o começo, porque ele é o item que mais infla faturamento e imposto sem trazer receita. Veja como atendemos marketing e agências ou fale com a gente.
O ajuste que faz uma empresa de serviço pagar metade do imposto
Duas clínicas faturam os mesmos R$ 30 mil por mês. Uma paga R$ 2.580 de imposto, a outra paga R$ 5.025. A diferença tem nome, tem fórmula, e dá para conferir em cinco minutos.
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