Navegue rápido pelo artigo
- Antes de avisar o escritório atual
- O bloco societário e cadastral
- O bloco fiscal e contábil
- O bloco trabalhista, que é o mais sensível
- O bloco que é específico de agência
- As conferências que valem dinheiro
- A ordem da transição
- O que fazer com o que faltar
- O calendário da migração
- O que perguntar ao escritório novo antes de assinar
- Perguntas frequentes
- Onde a Ethos entra
Migrar a contabilidade de uma agência tem quatro pontos que a empresa comum não tem: a folha, que não pode falhar no primeiro mês; o histórico do Fator R, que decide o anexo; os freelancers, que costumam estar mal formalizados; e o repasse de mídia, que pode estar inflando o faturamento há anos.
Este é o roteiro de levantamento, na ordem em que ele evita retrabalho.
Antes de avisar o escritório atual
Escolha o novo. Agência sem cobertura no meio do mês perde prazo de folha, e folha atrasada gera problema com a equipe e com o fisco.
Confirme que ele atende agência. Pergunte como acompanha o Fator R e como trata o repasse de mídia. Resposta genérica é resposta ruim.
Peça a lista de documentos ao novo, para fazer um pedido só ao antigo.
Escolha a data de corte no fechamento de uma folha, e não no meio do mês.
O bloco societário e cadastral
- Contrato social e todas as alterações
- Cartão CNPJ atualizado
- Inscrição municipal e alvará
- Certificado digital, com a senha em seu poder
- Procurações eletrônicas ativas, para saber o que revogar
O item 4 é o que mais trava transição. Certificado emitido em nome do escritório antigo, sem cópia com a agência, deixa você dependente de quem está saindo.
O bloco fiscal e contábil
- Balanços e balancetes dos últimos exercícios
- Livros contábeis e fiscais
- Declarações entregues, com recibos
- Guias pagas e comprovantes
- Notas fiscais emitidas e recebidas
- Parcelamentos em curso, com extrato e demonstrativo
- Certidões nas três esferas
O bloco trabalhista, que é o mais sensível
Aqui a falha custa caro e aparece rápido.
- Contratos de trabalho e todas as alterações
- Folha de pagamento dos últimos exercícios
- Recolhimentos de INSS e FGTS, com comprovantes
- Provisões de férias e décimo terceiro, com os saldos por pessoa
- Rescisões do período, com as verbas pagas
- Convenção coletiva aplicável e o que ela exige
- Pró-labore, com os recolhimentos
O item 4 é o que mais se perde e o que mais atrapalha. Saldo de férias por pessoa reconstruído errado gera pagamento errado no primeiro mês.
O item 7 tem peso duplo na agência: contribuição previdenciária e composição da folha do Fator R.
O bloco que é específico de agência
O histórico do Fator R
A folha de doze meses e a receita bruta de doze meses, mês a mês, com o resultado de cada janela.
Serve para duas coisas: o escritório novo não errar o enquadramento no primeiro mês, e você conferir se o anexo aplicado até aqui estava certo.
É a conferência que mais devolve dinheiro numa migração de agência. Está em Agência no Anexo V sem precisar estar.
Os freelancers
Como cada um foi contratado e pago: nota de prestador com CNPJ, RPA de pessoa física, e o que foi recolhido em cada caso.
É onde mora passivo trabalhista quando a contratação foi informal e recorrente. Está em Freelancer: como contratar sem criar vínculo.
O repasse de mídia
Como a compra de mídia para clientes foi tratada. Se entrou como receita própria, como aparece nas notas emitidas e se houve estrutura de reembolso.
Está em Repasse de mídia entra no faturamento?.
As retenções sofridas
Os valores que os clientes retiveram nas notas da agência, e se eles foram efetivamente abatidos na apuração.
Retenção sofrida e não aproveitada é imposto pago duas vezes. Está em ISS de agência e retenção na fonte.
Os contratos de fee
Os contratos vigentes com clientes, com escopo, valor, reajuste e o que foi acordado sobre mídia.
Eles sustentam a receita recorrente e mostram a divisão entre fee e repasse. Está em Contrato de agência: o que precisa ter.
As conferências que valem dinheiro
Cinco checagens para o primeiro mês:
O anexo aplicado está correto? Compare a folha de doze meses com a receita bruta. Está em Fator R de agência de marketing.
As retenções foram abatidas? Some o que foi retido e compare com o aproveitado.
O repasse inflou a receita? Confira se o faturamento declarado inclui dinheiro do cliente.
O CNAE corresponde à receita real por tipo de serviço? Está em CNAE de agência de publicidade: qual usar.
O pró-labore está registrado e coerente?
A ordem da transição
- Contratar o novo escritório e definir a data de corte
- Comunicar o atual por escrito
- Solicitar o acervo, com a lista completa
- Receber e conferir antes de encerrar
- Transferir responsabilidade na Receita e refazer as procurações
- Revogar as procurações antigas
- Rodar a primeira folha em paralelo, conferindo com a anterior
O item 7 é a proteção que vale o esforço. Comparar a primeira folha do escritório novo com a última do antigo, pessoa por pessoa, pega erro de saldo e de verba antes de ele chegar na conta de alguém.
O que fazer com o que faltar
Nenhuma migração reúne tudo.
Provisões sem detalhamento por pessoa. Reconstrua a partir das datas de admissão e dos períodos aquisitivos. Trabalhoso e possível.
Freelancer pago sem formalização. Levante o que existir de comprovante de pagamento e formalize daqui para frente.
Histórico de Fator R inexistente. Reconstrua a partir da folha e das declarações. É o levantamento que mais se paga.
Contratos de cliente só verbais. Formalize os vigentes. É bom para a contabilidade e melhor ainda para a agência.
Lacuna não impede a troca. Ela define a primeira tarefa do escritório novo.
O calendário da migração
Quatro semanas resolvem, e a ordem importa mais que a velocidade.
Semana 1. Contrate o novo escritório, defina a data de corte no fechamento de uma folha e receba a lista de documentos.
Semana 2. Comunique o escritório atual por escrito e faça o pedido completo do acervo, de uma vez.
Semana 3. Receba e confira. É aqui que se identifica o que falta, enquanto a relação ainda está aberta e alguém do outro lado ainda responde.
Semana 4. Transfira responsabilidade na Receita, refaça as procurações, revogue as antigas e rode a primeira folha em paralelo.
O erro clássico é inverter as semanas 2 e 3, ou seja, encerrar a relação e só depois descobrir o que faltou. Quem já saiu não tem incentivo nenhum para procurar documento.
O que perguntar ao escritório novo antes de assinar
Cinco perguntas que revelam se ele atende agência de verdade:
- Como você acompanha o Fator R? A resposta certa é mensal, não anual.
- Como trata o repasse de mídia? Se a pergunta causar estranheza, é sinal.
- Como as retenções sofridas entram na apuração?
- Quem cuida da folha e qual o prazo de envio dos dados?
- O que você precisa de mim todo mês?
A quinta é a mais reveladora. Escritório que sabe o que precisa tem processo. Escritório que responde "vai me mandando o que aparecer" não tem.
Perguntas frequentes
O escritório antigo é obrigado a entregar tudo?
A documentação é da empresa, e a devolução é obrigação dele, inclusive com honorário em aberto.
Qual o melhor momento para trocar?
Logo depois de uma folha fechada, para proteger o item mais sensível.
E se a primeira folha do escritório novo sair errada?
Por isso vale rodar em paralelo e conferir com a anterior antes de pagar.
Preciso avisar minha equipe?
Não é obrigatório, e vale avisar se o canal de dúvidas de folha mudar.
Quanto tempo leva reunir o acervo?
O bloco cadastral sai rápido. Folha e freelancers são os que levam tempo.
Posso migrar com processo trabalhista em curso?
Pode. Leve o processo completo, com as manifestações apresentadas.
E se faltar documentação de freelancer?
Levante o que existir e formalize daqui para frente. É a lacuna mais comum.
O novo escritório refaz as apurações antigas?
Só havendo erro. O padrão é conferir o período aberto e avaliar retificação.
Preciso avisar meus clientes?
Não. O que pode mudar é quem emite a nota, se o escritório fazia isso por você.
Trocar chama fiscalização?
Não. É procedimento rotineiro.
O certificado digital fica com quem?
Com a empresa. Resolva antes de encerrar.
Vale trocar por honorário mais barato?
Para agência, raramente. A diferença costuma ser menor que o imposto pago a mais por anexo errado.
Onde a Ethos entra
Conduzimos a migração rodando a primeira folha em paralelo e reconstruindo o histórico do Fator R, porque são os dois pontos em que a troca de escritório de agência costuma falhar. Veja como atendemos marketing e agências ou fale com a gente.
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