Navegue rápido pelo artigo
A agência recebe cinquenta mil do cliente, quarenta são para comprar mídia e dez são o honorário dela. Se esse dinheiro todo entrou no CNPJ da agência como receita, ela vai pagar imposto sobre os cinquenta.
Pior: esses quarenta mil que não são dela empurram o faturamento para faixas mais altas do Simples e derrubam o Fator R, encarecendo também o imposto sobre a receita própria.
É o erro que mais custa dinheiro em agência de marketing, e ele se resolve na estrutura do contrato, não no fechamento do mês.
Por que isso acontece
Não é descuido. É a forma mais prática de operar.
O cliente não quer lidar com plataforma de anúncio. A agência tem o cartão, tem a conta de anúncios, tem o histórico. Ela compra, o cliente reembolsa, todo mundo fica satisfeito.
Fiscalmente, o que aconteceu foi: entrou dinheiro na conta da agência, ela emitiu nota, virou receita.
E receita, no Simples, é a base de tudo: a alíquota, a faixa, o limite anual e o denominador do Fator R.
Os três prejuízos
O imposto sobre dinheiro alheio. A agência recolhe percentual sobre um valor que apenas passou por ela.
A faixa mais alta. O Simples é progressivo. Uma agência que fatura de honorário e registra o triplo por causa da mídia sobe de faixa, e a alíquota maior atinge também a receita própria.
O Fator R derrubado. A receita bruta é o denominador da conta. Inflada pelo repasse, ela empurra o resultado para baixo e pode manter a agência no Anexo V. Está em Fator R de agência de marketing.
O terceiro é o mais perverso, porque a agência é punida duas vezes pelo mesmo dinheiro.
Existe ainda um quarto risco, que aparece em agência que cresce: o limite anual do Simples. Estourar o teto por causa de repasse significa sair do regime por um faturamento que não é seu.
Como estruturar
Três caminhos, do mais limpo ao mais comum.
O cliente compra direto
A conta de anúncios fica no nome do cliente, com o cartão dele, e a agência opera como gestora com acesso à conta.
A favor: o dinheiro nunca passa pela agência. Não há receita, não há imposto, não há efeito nenhum na faixa ou no Fator R.
Contra: exige que o cliente tenha estrutura e disposição para isso. Cliente pequeno costuma resistir.
É a solução tecnicamente mais simples, e ela depende do porte do cliente.
O contrato separa fee e mídia
O contrato define expressamente que a agência atua como intermediária na compra de mídia, e que o valor correspondente é repasse, não remuneração.
A nota fiscal da agência é emitida sobre o fee, e o repasse é tratado conforme a estrutura definida.
A favor: funciona com cliente que não quer operar a conta de anúncio.
Contra: exige contrato bem redigido e execução consistente. Contrato dizendo uma coisa e nota dizendo outra não sustenta nada.
Está em Contrato de agência: o que precisa ter.
Tudo pela agência, com o imposto no preço
Quando não dá para separar, a agência precisa ao menos saber o custo disso e embuti-lo no fee.
A favor: simples de operar.
Contra: é a mais cara, e o custo cresce com o volume de mídia gerenciado.
Quem opera assim precisa fazer a conta antes de aceitar uma conta grande de mídia, porque ela pode custar mais imposto do que traz de honorário.
O que a nota fiscal precisa dizer
Independente da estrutura escolhida, a nota precisa refletir o que aconteceu.
Nota genérica de "serviços de marketing" cobrindo fee e mídia junta duas coisas de naturezas diferentes num documento só, e depois ninguém consegue separar.
O que funciona:
Descrever o serviço prestado com o valor do fee.
Separar o repasse, conforme a estrutura definida no contrato.
Manter coerência entre contrato, nota e o que entrou na conta.
Está em Nota fiscal de serviço de marketing.
Como saber quanto isso está custando
Uma conta de dez minutos:
- Separe, dos últimos doze meses, quanto foi fee e quanto foi mídia
- Calcule o imposto sobre o total, que é o que você paga hoje
- Calcule o imposto sobre o fee apenas
- A diferença é o custo do repasse
- Refaça o Fator R sem a mídia no denominador, e veja se o anexo mudaria
O item 5 é o que costuma assustar. Agência que descobre que estaria no Anexo III sem o repasse encontra duas economias de uma vez.
Como migrar de estrutura sem perder o cliente
O problema prático: a agência entende o erro, e mudar exige conversar com quem já está contratado.
Três caminhos que funcionam:
Aproveite a renovação. Todo contrato tem data de aniversário. É o momento natural para propor a mudança sem parecer que algo deu errado.
Apresente como benefício ao cliente. Conta de anúncios no nome dele significa que ele mantém o histórico da conta, os dados e os públicos criados, mesmo trocando de agência. É um argumento verdadeiro e que costuma ser bem recebido.
Comece pelos clientes de maior volume de mídia. São os que mais custam imposto, e a mudança neles resolve a maior parte do problema.
O que não funciona é anunciar como problema fiscal da agência. O cliente não tem motivo para se envolver com isso, e a conversa fica desnecessariamente difícil.
Quando o cliente insiste em não assumir a conta
Acontece, sobretudo com cliente pequeno.
Nesse caso, o contrato precisa carregar o peso todo. A cláusula que define o valor como repasse, a prestação de contas e a titularidade precisa estar bem redigida, e a execução precisa ser consistente com ela.
E a agência precisa fazer a conta: quanto de imposto aquele volume de mídia gera, e se o honorário cobre isso. Cliente de mídia alta com fee baixo pode estar dando prejuízo depois do imposto.
Está em Precificar fee mensal de agência.
Perguntas frequentes
Repasse de mídia é receita da agência?
Entrando no CNPJ da agência sem estrutura que o caracterize como repasse, ele é registrado como receita e tributado.
Como faço para não pagar imposto sobre isso?
As três estruturas usuais são o cliente comprar direto, o contrato separar fee e repasse, ou embutir o custo no preço.
O cliente pode comprar mídia direto?
Pode, com a conta de anúncios no nome dele e a agência operando como gestora.
Isso muda meu Fator R?
Muda. O repasse infla a receita bruta que é o denominador da conta.
Posso estourar o limite do Simples por causa de mídia?
Pode, e é um risco real para agência que gerencia volume alto.
O que precisa estar no contrato?
A definição expressa de que a agência atua como intermediária na compra e que o valor é repasse, não remuneração.
E se eu já venho fazendo errado há anos?
Corrija daqui para frente primeiro, porque isso não depende de nada, e depois avalie o que cabe de revisão do período aberto.
A plataforma de anúncio emite nota para quem?
Para quem contratou. É por isso que a titularidade da conta de anúncios importa tanto.
Isso vale para comissão de veiculação também?
Comissão é remuneração da agência e é receita dela. O que se separa é o valor destinado à compra de mídia.
Meu contador nunca falou disso. É normal?
É comum em escritório que não atende agência. É também um dos motivos mais frequentes de troca. Está em Como trocar de contador sendo agência.
Dá para recuperar o que paguei a mais?
Depende da estrutura que existia e do que a documentação sustenta. A prioridade é parar de pagar daqui para frente.
Isso afeta a precificação do fee?
Afeta, e precisa entrar na conta. Está em Precificar fee mensal de agência.
O cliente sai da agência. O que acontece com a conta de anúncios?
Estando no nome dele, ele mantém histórico, dados e públicos criados. Estando no CNPJ da agência, a transferência é trabalhosa e costuma gerar atrito na saída.
Posso cobrar comissão sobre a mídia?
Pode, e a comissão é receita da agência, tributada normalmente. O que se separa do faturamento é o valor destinado à compra, não a sua remuneração sobre ele.
Como presto contas do repasse?
Com o relatório da plataforma e o extrato da conta de anúncios, na periodicidade definida em contrato. É o documento que sustenta a natureza do valor.
Onde a Ethos entra
Estruturamos o repasse de mídia no contrato e na nota, porque ele é o item que mais infla faturamento, imposto e faixa em agência sem trazer um real de receita. Veja como atendemos marketing e agências ou fale com a gente.
O ajuste que faz uma empresa de serviço pagar metade do imposto
Duas clínicas faturam os mesmos R$ 30 mil por mês. Uma paga R$ 2.580 de imposto, a outra paga R$ 5.025. A diferença tem nome, tem fórmula, e dá para conferir em cinco minutos.
- Como a alíquota efetiva funciona, com exemplo resolvido
- A régua dos 28% e as duas tabelas lado a lado
- A conta de quando aumentar o pró-labore compensa
Guia do Fator R em PDF
8 páginas · leitura de 10 minutos · tabelas de 2026
Calculadoras gratuitas
Contas prontas com as tabelas de 2026. Resultado na hora, sem cadastro.
- CLT x PJ
- Fator R
- Simples Nacional
- Custo de funcionário
- RPA
- Reforma tributária
- Plantão médico
- Custo para abrir empresa
- Pró-labore
Leia também

Freelancer: como contratar sem criar vínculo
O que caracteriza vínculo empregatício na prática, o que colocar no contrato e quando o RPA é a saída mais segura.

Nota fiscal de serviço de marketing
Como descrever o serviço, o que separar quando o contrato mistura fee e mídia e o que muda quando o cliente retém imposto.

ISS de agência e retenção na fonte
Quando o cliente retém, para qual cidade o imposto vai e como abater o que já foi retido para não pagar duas vezes.

