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Dev PJ sem Fator R: o que fazer no Anexo V

Imagem de capa do artigo: Dev PJ sem Fator R: o que fazer no Anexo V
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  1. Como o Fator R é calculado
  2. Quanto o Anexo V custa a mais
  3. Saída 1: subir o pró-labore
  4. Saída 2: contratar pela CLT
  5. Saída 3: mudar para o Lucro Presumido
  6. Saída 4: revisar a atividade
  7. Um exemplo em faturamento alto
  8. O erro da oscilação
  9. O erro do contador
  10. Como decidir
  11. Perguntas frequentes
  12. Onde a Ethos entra

O Fator R é o que separa a empresa de tecnologia do Simples entre dois mundos. Com a folha dos últimos 12 meses em pelo menos 28% do faturamento, a empresa paga pelo Anexo III, com alíquota inicial de 6%. Abaixo disso, paga pelo Anexo V, a partir de 15,5%. Na primeira faixa, é mais que o dobro.

Muitos devs PJ não conseguem ou não querem bater os 28%. Às vezes porque o pró-labore necessário parece alto, às vezes porque a receita oscila, às vezes porque o contador nunca falou do assunto. Este texto mostra o que acontece no Anexo V e as saídas possíveis, com a conta de cada uma.

Como o Fator R é calculado

O Fator R é a razão entre a folha de salários dos últimos 12 meses e a receita bruta dos mesmos 12 meses.

Entra na folha: salários, pró-labore, décimo terceiro e os encargos previdenciários e de FGTS sobre eles.

Não entra: pagamentos a prestadores PJ, distribuição de lucros e retiradas que não sejam pró-labore.

Se o resultado for igual ou maior que 28%, a receita das atividades sujeitas ao Fator R vai para o Anexo III. Se for menor, vai para o Anexo V. O detalhe está em Fator R para empresa de TI, e a conta na calculadora de Fator R.

Quanto o Anexo V custa a mais

A tabela do Anexo V começa em 15,5% e a do Anexo III em 6%. A diferença diminui nas faixas mais altas, mas continua relevante na maior parte delas.

Um exemplo, com faturamento de R$ 20 mil por mês e receita de 12 meses de R$ 240 mil, na segunda faixa:

  • Anexo III: 11,2% de alíquota nominal, com R$ 9.360 a deduzir, dá uma alíquota efetiva de cerca de 7,3%, ou R$ 1.460 por mês
  • Anexo V: 18% de alíquota nominal, com R$ 4.500 a deduzir, dá uma alíquota efetiva de cerca de 16,1%, ou R$ 3.225 por mês

São cerca de R$ 1.765 por mês de diferença, mais de R$ 21 mil por ano. Para bater o Fator R, o pró-labore precisaria ser de R$ 5.600, com INSS de 11%, R$ 616, e imposto de renda pequeno por causa do redutor de 2026. O Fator R custa bem menos do que economiza.

Saída 1: subir o pró-labore

É a saída mais comum e, na maioria dos casos, a mais barata.

O custo: 11% de INSS sobre o pró-labore, limitado ao teto, e o imposto de renda pela tabela progressiva. No Simples dos Anexos III e V, não há patronal por fora.

A novidade de 2026: a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e o redutor até R$ 7.350 tornaram o pró-labore dessa faixa muito barato. Para quem fatura até uns R$ 17 mil por mês, os 28% ficam dentro da faixa isenta.

Para quem fatura muito: o pró-labore necessário é alto e cai nas faixas mais altas do imposto de renda. Mas, para quem está no IR mínimo da Lei 15.270, o imposto pago sobre o pró-labore é abatido do mínimo, o que reduz o custo real. Está em Pró-labore ou dividendos em 2026: a nova conta.

Saída 2: contratar pela CLT

Uma software house ou uma empresa com equipe pode chegar aos 28% com a folha dos funcionários, sem precisar de pró-labore alto.

O custo: salários, encargos e benefícios. No Simples dos Anexos III e V, a patronal está dentro do DAS.

O cuidado: contratar só para bater o Fator R não faz sentido. A contratação precisa ter motivo na operação. Mas quem já contrata PJs deve comparar: trazer para a CLT pode aumentar o custo da folha e reduzir o imposto da empresa ao mesmo tempo. Está em Contratar o primeiro funcionário na empresa de TI.

Saída 3: mudar para o Lucro Presumido

Se o Fator R não fecha, o Lucro Presumido pode sair mais barato que o Anexo V.

No Presumido, a empresa de serviço paga IRPJ e CSLL sobre 32% da receita, perto de 7,68%, mais PIS e COFINS de 3,65% e o ISS do município, de 2% a 5%. Somando, fica na casa dos 13% a 16%, antes do adicional do IRPJ.

Para quem exporta, PIS, COFINS e ISS não incidem, e a carga cai para perto de 8% a 9%. Está em Simples ou Presumido para dev que ganha em dólar em 2026.

O custo escondido: fora do Simples, a empresa paga 20% de patronal sobre o pró-labore. E a contabilidade costuma ser mais cara.

Saída 4: revisar a atividade

Nem toda atividade de tecnologia está sujeita ao Fator R. O enquadramento depende do CNAE e da atividade efetivamente exercida. Uma empresa com atividades mistas pode ter receitas em anexos diferentes.

Mas mudar o CNAE só para escapar do Anexo V, sem mudar a atividade real, é arriscado: o que vale é o que a empresa faz. Está em CNAE para desenvolvedor de software.

Um exemplo em faturamento alto

Um dev fatura R$ 60 mil por mês, com receita de 12 meses de R$ 720 mil, no limite da terceira faixa.

Para bater o Fator R, a folha precisa ser de R$ 16.800 por mês. Sozinho, é tudo pró-labore. O INSS fica limitado ao teto, e o imposto de renda cai na faixa de 27,5% da tabela progressiva.

A diferença de imposto na empresa entre os Anexos V e III, nessa faixa, passa de R$ 3 mil por mês.

A conta na pessoa física: com R$ 16.800 de pró-labore e o restante como lucro, os rendimentos anuais passam de R$ 600 mil, e o dev entra no IR mínimo da Lei 15.270. Nesse caso, o imposto pago sobre o pró-labore é abatido do mínimo. O custo real de subir o pró-labore fica bem menor do que parece à primeira vista.

Em faturamento alto, também vale comparar com o Lucro Presumido, principalmente se houver exportação. A conta precisa ser feita inteira, empresa e pessoa física juntas, com a calculadora de dividendos 2026 e a calculadora de pró-labore.

O erro da oscilação

O Fator R é calculado todo mês com os 12 meses anteriores. Se a empresa baixa o pró-labore por alguns meses, ou se o faturamento dá um salto, o Fator R cai abaixo de 28% e a receita daquele mês vai para o Anexo V.

Cuidados:

  • Ajustar o pró-labore quando o faturamento cresce, antes que o Fator R caia
  • Não cortar o pró-labore em mês de faturamento alto
  • Olhar o Fator R todo mês, e não só no início do ano

O erro do contador

Muita empresa de tecnologia paga pelo Anexo V há anos sem que ninguém tenha calculado o Fator R. É um dos erros mais caros e mais comuns. Se a sua empresa está no Anexo V, vale pedir a conta.

E há um ponto de atenção no passado: se a empresa tinha folha suficiente e mesmo assim pagou pelo Anexo V, pode haver imposto pago a mais a recuperar, dentro do prazo de cinco anos, com a retificação das declarações. Está em Como trocar de contador sendo dev PJ.

Como decidir

  1. Calcule o Fator R atual com a folha e a receita dos últimos 12 meses
  2. Calcule o custo de bater os 28%, com INSS e imposto de renda do pró-labore
  3. Compare com a economia entre os Anexos V e III
  4. Compare com o Lucro Presumido, incluindo a patronal
  5. Considere a exportação, se houver
  6. Refaça a conta sempre que o faturamento mudar de patamar

Perguntas frequentes

O que acontece se eu não bater o Fator R?

A receita das atividades sujeitas ao Fator R é tributada pelo Anexo V, a partir de 15,5%, em vez do Anexo III, a partir de 6%.

Pagamento a PJ conta para o Fator R?

Não. Só folha: salários, pró-labore, décimo terceiro e os encargos sobre eles.

Distribuição de lucro conta?

Não. Só pró-labore e salários entram na folha do Fator R.

O Fator R é calculado uma vez por ano?

Não. É recalculado todo mês, com os 12 meses anteriores.

Paguei Anexo V por anos. Dá para recuperar?

Se a empresa tinha folha para o Fator R e pagou pelo Anexo V, pode haver valor a recuperar, dentro do prazo de cinco anos.

Onde a Ethos entra

Calculamos o Fator R todo mês, ajustamos o pró-labore quando o faturamento muda e comparamos o Simples com o Presumido quando os 28% não fecham. Veja como atendemos tecnologia e desenvolvedores e devs que trabalham para o exterior, ou use a calculadora de Fator R.

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