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O custo se divide em dois blocos que costumam ser confundidos: o que você paga uma vez para tirar o CNPJ e o que passa a sair todo mês depois que a empresa existe. O segundo bloco pesa muito mais ao longo do ano, e é o que quase ninguém calcula antes de abrir.
O que você paga uma vez
Taxas de registro
Junta Comercial e prefeitura cobram taxas próprias, e os valores mudam de estado para estado e de cidade para cidade. Não existe um valor nacional. Cidade com licenciamento mais exigente cobra mais, e atividade médica costuma cair na faixa exigente.
Honorário de abertura
O trabalho de elaborar contrato social, protocolar registro, tirar CNPJ, inscrição municipal e alvará tem honorário próprio. Ele não faz parte da mensalidade contábil.
Certificado digital
Necessário para emitir nota, assinar obrigação e acessar o portal do Simples. Tem validade e é renovado periodicamente.
Registro da pessoa jurídica no CRM
O Conselho Regional de Medicina cobra pelo registro da empresa e pela anuidade dela, que é separada da sua anuidade pessoal. É o custo mais esquecido da lista.
O que passa a sair todo mês
Imposto sobre o que você faturar
É o maior item, e é proporcional. No Simples Nacional, o serviço médico começa no Anexo V, perto de 15,5%, e cai para o Anexo III, que começa em 6%, quando a folha atinge 28% do faturamento dos últimos doze meses.
A diferença entre os dois anexos costuma ser maior que todo o resto da lista somado. Veja quanto isso representa no seu caso na calculadora de Fator R.
INSS sobre o pró-labore
Se você faz pró-labore, e para o Fator R normalmente faz, incide INSS sobre ele. É custo, mas é o custo que compra a alíquota menor, e também é o que constrói a sua contribuição previdenciária.
Honorário contábil
Mensal, e cobre a apuração, a emissão de guia, as obrigações e a folha. Empresa com funcionário custa mais que empresa sem.
Custos que aparecem depois
Renovação de alvará, anuidade do CRM da pessoa jurídica, renovação do certificado digital e, se você contratar, o custo da folha de pagamento.
Um exemplo somando tudo
Considere um plantonista que fatura 20 mil por mês, ou 240 mil no ano, e trabalha sozinho.
No primeiro mês ele tem os custos de uma vez: taxas de registro, honorário de abertura, certificado digital e o registro da pessoa jurídica no CRM.
A partir do segundo mês ele passa a ter, todo mês:
- O DAS sobre o faturamento, que muda muito conforme o anexo
- O INSS sobre o pró-labore, se ele fizer a conta do Fator R
- O honorário contábil
O item que domina a conta é o primeiro. Num faturamento de 240 mil ao ano, a diferença entre pagar pelo Anexo V e pagar pelo Anexo III é grande o bastante para superar, sozinha, todos os outros custos do ano somados.
É por isso que a pergunta "quanto custa abrir" tem uma resposta menos importante do que a pergunta "abrir de que jeito". Simule na calculadora do Simples Nacional.
O custo de fazer errado
Vale colocar na conta o que se paga por decisão mal tomada no começo:
CNAE errado. Alteração na Junta Comercial, novo reflexo na prefeitura e, se o código puxava outro enquadramento, diferença de imposto nas competências já apuradas.
Endereço recusado pela prefeitura. Alteração de endereço, nova consulta de viabilidade e nova vistoria.
Regime escolhido sem simulação. A opção pelo Simples tem janela. Perdida a janela, a empresa fica no outro regime até a seguinte.
Fator R descoberto tarde. Doze guias pagas no anexo caro, mais os meses necessários para o índice subir, porque a janela olha sempre os últimos doze meses.
Nenhum desses custos aparece no orçamento de abertura, e todos eles são maiores que a diferença de honorário entre um escritório e outro.
Empresa parada também custa
Mês sem faturamento não é mês sem obrigação. A empresa continua entregando declaração, e o honorário contábil continua. Quem entra na residência e para de movimentar a PJ precisa decidir o que fazer com ela, assunto de Entrei na residência: o que faço com a PJ.
Como estimar o seu caso
O jeito prático é somar três coisas:
- O imposto sobre o faturamento que você espera, já considerando o anexo em que vai cair
- O INSS sobre o pró-labore necessário para o Fator R
- Os custos fixos: honorário contábil, certificado e anuidades
A calculadora do custo para abrir empresa organiza esses blocos, e a calculadora de plantão médico mostra quanto sobra dos seus plantões depois de tudo.
O que muda de cidade para cidade
Taxa de Junta, taxa de alvará, exigência de vistoria e alíquota de ISS. É por isso que orçamento fechado de abertura só sai depois de saber onde a empresa vai ficar.
O que perguntar ao pedir orçamento
Orçamento de abertura fica comparável quando você pergunta as mesmas coisas para todo mundo:
- O que está incluído no honorário de abertura? Contrato social, registro na Junta, CNPJ, inscrição municipal e alvará costumam entrar. Registro da pessoa jurídica no CRM nem sempre.
- As taxas dos órgãos estão dentro ou por fora? Elas são pagas ao poder público e variam por cidade, então quase sempre ficam por fora.
- O certificado digital está incluído? É item obrigatório na prática.
- A mensalidade cobre o quê? Apuração, guias, obrigações mensais e anuais, e folha quando houver funcionário.
- A mensalidade muda se eu contratar alguém? Costuma mudar, porque entra o processamento de folha e o eSocial.
- Vocês simulam o Fator R antes de enquadrar? É a pergunta que mais separa um escritório do outro, e é a que mais vale dinheiro no seu primeiro ano.
Guarde as respostas por escrito. Elas evitam a conversa desconfortável de custo que aparece depois.
Perguntas frequentes
Vale a pena abrir empresa se eu faturo pouco?
Depende de quanto você fatura e de o contratante exigir pessoa jurídica. A maior parte dos hospitais e clínicas contrata plantonista como PJ, então na prática a empresa vira condição para trabalhar, e a pergunta passa a ser como abrir gastando menos imposto.
Dá para abrir sem contador?
O registro exige responsável técnico contábil, e o enquadramento tributário feito no chute é o que custa caro depois.
Abrir a empresa no nome de outra pessoa sai mais barato?
Não sai, e cria um problema sério: quem consta no contrato responde pela empresa. A anuidade do CRM da pessoa jurídica e o diretor técnico também precisam bater com a realidade.
Posso usar meu endereço residencial?
Depende da cidade. Nem toda prefeitura libera atividade médica em imóvel residencial, mesmo quando o atendimento acontece dentro do hospital.
Preciso de capital social alto?
Não. A SLU não tem capital mínimo, e o valor integralizado aparece na sua declaração de imposto de renda como bem. Capital alto sem necessidade só complica.
O certificado digital é obrigatório mesmo?
Na prática, sim. Sem ele a empresa não emite nota em boa parte dos municípios, não assina obrigação e não acessa o portal do Simples.
Posso parcelar os custos de abertura?
Isso depende de cada prestador e das taxas envolvidas, que são pagas ao órgão público. Vale combinar antes de começar, porque algumas etapas travam até o pagamento sair.
O custo muda se eu for atender só por telemedicina?
A estrutura de custos é a mesma. O que muda é a discussão sobre endereço e sobre o município onde o ISS é devido, que merece ser resolvida antes do registro.
Existe custo para mudar de regime tributário depois?
Não há taxa para a opção em si. O custo é de oportunidade: a opção pelo Simples tem janela anual, e quem perde a janela fica no outro regime até a seguinte, pagando a diferença o ano inteiro.
Preciso pagar alguma coisa antes de ter faturamento?
Sim. Honorário contábil, certificado digital e anuidade do CRM da pessoa jurídica correm desde a abertura, independentemente de a empresa faturar. É a razão de valer a pena abrir perto do primeiro contrato, e não muito antes.
Quanto custa se eu abrir com um sócio?
Os custos de registro são semelhantes. O que muda é a complexidade do contrato social, que na sociedade é o documento que evita briga depois, assunto de Sociedade entre médicos: como dividir a empresa.
Onde a Ethos entra
Fazemos abertura e enquadramento com a conta do Fator R feita desde o começo. O honorário de abertura é orçado caso a caso, porque as taxas mudam conforme a cidade. Veja como atendemos médicos PJ ou fale com a gente.
O ajuste que faz uma empresa de serviço pagar metade do imposto
Duas clínicas faturam os mesmos R$ 30 mil por mês. Uma paga R$ 2.580 de imposto, a outra paga R$ 5.025. A diferença tem nome, tem fórmula, e dá para conferir em cinco minutos.
- Como a alíquota efetiva funciona, com exemplo resolvido
- A régua dos 28% e as duas tabelas lado a lado
- A conta de quando aumentar o pró-labore compensa
Guia do Fator R em PDF
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