Navegue rápido pelo artigo
- A ordem certa dos passos
- O que costuma dar errado
- O que conferir no primeiro fechamento
- O que a troca não resolve
- Sinais de que a troca faz sentido
- O escritório antigo pode se recusar a entregar?
- Preciso esperar o fim do ano?
- O que perguntar antes de assinar com o escritório novo
- Perguntas frequentes
- Onde a Ethos entra
Dá para trocar de contabilidade sem atrasar plantão, sem perder acesso ao certificado digital e sem deixar buraco de obrigação. O que evita problema é a ordem: contratar o novo antes de comunicar o antigo, e só encerrar quando a documentação estiver na mão.
A ordem certa dos passos
1. Contrate o novo escritório antes de avisar o atual
Parece detalhe e não é. Quem avisa primeiro e procura depois costuma ficar semanas sem ninguém responsável, e obrigação com prazo não espera. Deixe o contrato novo assinado e a data de início definida.
2. Defina a partir de qual competência a responsabilidade muda
A virada acontece por competência, não por dia. O comum é o escritório antigo fechar o mês corrente e o novo começar no mês seguinte. Isso precisa estar escrito, porque é o que define quem responde por cada declaração.
3. Peça a documentação por escrito
A lista completa está em O que pedir ao contador antigo antes de sair. O essencial: declarações entregues, guias pagas, folha, balanço e a situação de débitos.
4. Assine o termo de transferência de responsabilidade técnica
É o documento que marca onde termina a responsabilidade de um contador e começa a do outro. Ele é emitido pelo profissional e existe justamente para o caso de aparecer autuação de período antigo.
5. Troque acessos e procurações
Certificado digital, senha da prefeitura, código de acesso do Simples e procuração eletrônica no e-CAC. Enquanto a procuração antiga estiver ativa, o escritório anterior continua enxergando a sua empresa.
6. Confira o primeiro fechamento com atenção
O primeiro mês no escritório novo é onde erro herdado aparece. Confira o anexo aplicado, o pró-labore lançado e a retenção abatida.
O que costuma dar errado
Ficar sem certificado digital. Se o certificado está no nome do escritório antigo ou guardado por ele, a empresa para. Certificado deve estar no seu controle.
Perder o histórico do Fator R. O Fator R olha os últimos doze meses de folha e faturamento. Se a folha antiga não migrar corretamente, o cálculo do escritório novo sai errado e você pode voltar para o Anexo V sem motivo.
Descobrir débito antigo depois. Guia não paga de competência anterior continua sua. Levante a situação fiscal antes de assinar, não depois.
Nota emitida no meio da virada. Combine quem fecha o mês de transição, para não sair nota sem apuração correspondente.
O que conferir no primeiro fechamento
O primeiro mês no escritório novo é onde o erro herdado aparece. Vale conferir cinco coisas:
- O anexo aplicado. Se você tinha folha suficiente e a guia saiu no Anexo V, o histórico de folha não migrou direito.
- O faturamento acumulado. A alíquota efetiva sai dos últimos doze meses. Se o acumulado veio errado, a alíquota vem errada.
- O pró-labore lançado. Ele precisa continuar no mesmo valor e na mesma regularidade, senão o Fator R oscila.
- A retenção abatida. Compare a nota emitida com o extrato do PGDAS. Retenção não aproveitada é imposto pago duas vezes.
- As competências anteriores. Confirme que nada ficou sem declaração no mês da virada.
Se algum desses itens vier errado, o momento de corrigir é agora, enquanto o escritório antigo ainda responde e a documentação está fresca.
O que a troca não resolve
Vale ser honesto sobre isso, porque cria expectativa errada.
Débito antigo continua seu. Guia não paga de competência anterior é da empresa, e o escritório novo não faz ela desaparecer. O que ele faz é levantar e organizar a regularização.
Autuação de período passado continua valendo. O termo de transferência define de quem é a responsabilidade técnica dali para frente, e não apaga o que ficou para trás.
Fator R não retroage sozinho. Se faltou pró-labore, o índice sobe para frente. Onde houve erro de classificação, existe caminho de retificação, mas ele precisa ser levantado competência a competência.
O acumulado de faturamento continua. Trocar de contador não zera os doze meses que definem a sua alíquota.
Sinais de que a troca faz sentido
- Você está no Anexo V com folha que já daria para o Anexo III
- A guia chega sempre em cima do vencimento, sem tempo de conferir
- Você não consegue uma resposta simples sobre quanto pode retirar de lucro
- Ninguém avisou sobre a mudança na tributação de lucros que passou a valer em 2026
- Você descobre pendência fiscal pelo hospital, e não pelo seu contador
O segundo item da lista tem um texto próprio: Como saber se o seu contador está errando o Fator R.
O escritório antigo pode se recusar a entregar?
A documentação da empresa é sua. Reter documento por divergência de honorário não é o caminho previsto, e o Conselho Regional de Contabilidade trata desse tipo de conflito.
O que reduz atrito é comunicar com antecedência razoável, quitar o que estiver em aberto e pedir a lista por escrito, com prazo combinado.
Preciso esperar o fim do ano?
Não. A troca pode acontecer em qualquer mês. O que costuma ser mais confortável é virar no início de um mês, com o anterior já fechado.
Só existe um cuidado de calendário: se você pretende mudar de regime tributário, a opção pelo Simples tem janela própria no início do ano, e essa janela não muda por causa da troca de escritório.
O que perguntar antes de assinar com o escritório novo
Vale usar a troca para resolver o que motivou a saída. Seis perguntas que separam um escritório do outro:
- Vocês simulam o Fator R todo mês ou uma vez por ano? Para médico, essa é a pergunta mais cara da lista.
- Como vocês conferem a retenção sofrida na nota? Retenção não abatida é imposto pago duas vezes.
- Quem tem acesso ao meu certificado digital? A resposta certa é: você.
- Vocês fazem escrituração contábil completa? É o que sustenta a distribuição de lucro.
- Como eu acompanho o que está sendo pago e entregue? Depender de pedir por mensagem toda vez é o que gera a sensação de não saber o que está acontecendo.
- Quem levanta a situação fiscal antes de assumir? Se ninguém levantar, você descobre o passivo depois.
Peça as respostas antes da assinatura. Elas também servem de parâmetro para a relação depois.
Perguntas frequentes
Vou pagar dois honorários no mês da virada?
Depende de como a competência foi dividida. Definir a data de corte por escrito evita cobrança dobrada.
Preciso avisar a Receita Federal?
O que muda na Receita é a procuração eletrônica no e-CAC. Ela é revogada e concedida ao escritório novo.
E o hospital, precisa saber?
Não precisa, porque a sua empresa continua a mesma. O que não pode mudar é a emissão de nota, para o pagamento não atrasar.
Perco o histórico da minha empresa?
Não, se a documentação for entregue. Balanço, folha e declarações são a memória da empresa, e é por isso que a lista de entrega importa tanto.
Posso trocar tendo débito em aberto?
Pode. O débito não impede a troca, ele só precisa ser conhecido antes. Levantar a situação fiscal na entrada evita a conversa desconfortável de descobrir depois.
E se eu quiser voltar para o escritório antigo?
É possível, e o procedimento é o mesmo, na direção contrária. O que costuma pesar é o desgaste da segunda transição, então vale escolher bem na primeira.
Preciso trocar de certificado digital?
Não. O certificado é da empresa e continua o mesmo. O que muda é quem tem acesso a ele, e isso precisa ficar sob o seu controle.
Preciso avisar o CRM ou algum conselho?
Não. A troca de contabilidade não muda o registro da pessoa jurídica no Conselho Regional de Medicina nem o diretor técnico indicado.
Posso trocar no meio de um parcelamento?
Pode. O parcelamento é da empresa e continua valendo. O que precisa acontecer é o escritório novo receber o demonstrativo das parcelas, para não perder o controle dos vencimentos.
O que acontece se eu trocar sem termo de transferência?
A troca continua válida, mas a divisão de responsabilidade fica sem registro. Se aparecer autuação de período antigo, não existe documento dizendo onde termina a responsabilidade de um profissional e começa a do outro.
O escritório novo consegue ver o que foi feito antes?
Com a procuração eletrônica no e-CAC e o acesso ao portal do Simples, ele vê as declarações entregues e a situação de débitos. O que não aparece por lá é a contabilidade completa, que precisa vir do escritório anterior. A lista está em O que pedir ao contador antigo antes de sair.
Onde a Ethos entra
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