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Como trocar de contador sendo médico PJ

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Imagem de capa do artigo: Como trocar de contador sendo médico PJ
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  1. A ordem certa dos passos
  2. O que costuma dar errado
  3. O que conferir no primeiro fechamento
  4. O que a troca não resolve
  5. Sinais de que a troca faz sentido
  6. O escritório antigo pode se recusar a entregar?
  7. Preciso esperar o fim do ano?
  8. O que perguntar antes de assinar com o escritório novo
  9. Perguntas frequentes
  10. Onde a Ethos entra

Dá para trocar de contabilidade sem atrasar plantão, sem perder acesso ao certificado digital e sem deixar buraco de obrigação. O que evita problema é a ordem: contratar o novo antes de comunicar o antigo, e só encerrar quando a documentação estiver na mão.

A ordem certa dos passos

1. Contrate o novo escritório antes de avisar o atual

Parece detalhe e não é. Quem avisa primeiro e procura depois costuma ficar semanas sem ninguém responsável, e obrigação com prazo não espera. Deixe o contrato novo assinado e a data de início definida.

2. Defina a partir de qual competência a responsabilidade muda

A virada acontece por competência, não por dia. O comum é o escritório antigo fechar o mês corrente e o novo começar no mês seguinte. Isso precisa estar escrito, porque é o que define quem responde por cada declaração.

3. Peça a documentação por escrito

A lista completa está em O que pedir ao contador antigo antes de sair. O essencial: declarações entregues, guias pagas, folha, balanço e a situação de débitos.

4. Assine o termo de transferência de responsabilidade técnica

É o documento que marca onde termina a responsabilidade de um contador e começa a do outro. Ele é emitido pelo profissional e existe justamente para o caso de aparecer autuação de período antigo.

5. Troque acessos e procurações

Certificado digital, senha da prefeitura, código de acesso do Simples e procuração eletrônica no e-CAC. Enquanto a procuração antiga estiver ativa, o escritório anterior continua enxergando a sua empresa.

6. Confira o primeiro fechamento com atenção

O primeiro mês no escritório novo é onde erro herdado aparece. Confira o anexo aplicado, o pró-labore lançado e a retenção abatida.

O que costuma dar errado

Ficar sem certificado digital. Se o certificado está no nome do escritório antigo ou guardado por ele, a empresa para. Certificado deve estar no seu controle.

Perder o histórico do Fator R. O Fator R olha os últimos doze meses de folha e faturamento. Se a folha antiga não migrar corretamente, o cálculo do escritório novo sai errado e você pode voltar para o Anexo V sem motivo.

Descobrir débito antigo depois. Guia não paga de competência anterior continua sua. Levante a situação fiscal antes de assinar, não depois.

Nota emitida no meio da virada. Combine quem fecha o mês de transição, para não sair nota sem apuração correspondente.

O que conferir no primeiro fechamento

O primeiro mês no escritório novo é onde o erro herdado aparece. Vale conferir cinco coisas:

  1. O anexo aplicado. Se você tinha folha suficiente e a guia saiu no Anexo V, o histórico de folha não migrou direito.
  2. O faturamento acumulado. A alíquota efetiva sai dos últimos doze meses. Se o acumulado veio errado, a alíquota vem errada.
  3. O pró-labore lançado. Ele precisa continuar no mesmo valor e na mesma regularidade, senão o Fator R oscila.
  4. A retenção abatida. Compare a nota emitida com o extrato do PGDAS. Retenção não aproveitada é imposto pago duas vezes.
  5. As competências anteriores. Confirme que nada ficou sem declaração no mês da virada.

Se algum desses itens vier errado, o momento de corrigir é agora, enquanto o escritório antigo ainda responde e a documentação está fresca.

O que a troca não resolve

Vale ser honesto sobre isso, porque cria expectativa errada.

Débito antigo continua seu. Guia não paga de competência anterior é da empresa, e o escritório novo não faz ela desaparecer. O que ele faz é levantar e organizar a regularização.

Autuação de período passado continua valendo. O termo de transferência define de quem é a responsabilidade técnica dali para frente, e não apaga o que ficou para trás.

Fator R não retroage sozinho. Se faltou pró-labore, o índice sobe para frente. Onde houve erro de classificação, existe caminho de retificação, mas ele precisa ser levantado competência a competência.

O acumulado de faturamento continua. Trocar de contador não zera os doze meses que definem a sua alíquota.

Sinais de que a troca faz sentido

  • Você está no Anexo V com folha que já daria para o Anexo III
  • A guia chega sempre em cima do vencimento, sem tempo de conferir
  • Você não consegue uma resposta simples sobre quanto pode retirar de lucro
  • Ninguém avisou sobre a mudança na tributação de lucros que passou a valer em 2026
  • Você descobre pendência fiscal pelo hospital, e não pelo seu contador

O segundo item da lista tem um texto próprio: Como saber se o seu contador está errando o Fator R.

O escritório antigo pode se recusar a entregar?

A documentação da empresa é sua. Reter documento por divergência de honorário não é o caminho previsto, e o Conselho Regional de Contabilidade trata desse tipo de conflito.

O que reduz atrito é comunicar com antecedência razoável, quitar o que estiver em aberto e pedir a lista por escrito, com prazo combinado.

Preciso esperar o fim do ano?

Não. A troca pode acontecer em qualquer mês. O que costuma ser mais confortável é virar no início de um mês, com o anterior já fechado.

Só existe um cuidado de calendário: se você pretende mudar de regime tributário, a opção pelo Simples tem janela própria no início do ano, e essa janela não muda por causa da troca de escritório.

O que perguntar antes de assinar com o escritório novo

Vale usar a troca para resolver o que motivou a saída. Seis perguntas que separam um escritório do outro:

  1. Vocês simulam o Fator R todo mês ou uma vez por ano? Para médico, essa é a pergunta mais cara da lista.
  2. Como vocês conferem a retenção sofrida na nota? Retenção não abatida é imposto pago duas vezes.
  3. Quem tem acesso ao meu certificado digital? A resposta certa é: você.
  4. Vocês fazem escrituração contábil completa? É o que sustenta a distribuição de lucro.
  5. Como eu acompanho o que está sendo pago e entregue? Depender de pedir por mensagem toda vez é o que gera a sensação de não saber o que está acontecendo.
  6. Quem levanta a situação fiscal antes de assumir? Se ninguém levantar, você descobre o passivo depois.

Peça as respostas antes da assinatura. Elas também servem de parâmetro para a relação depois.

Perguntas frequentes

Vou pagar dois honorários no mês da virada?

Depende de como a competência foi dividida. Definir a data de corte por escrito evita cobrança dobrada.

Preciso avisar a Receita Federal?

O que muda na Receita é a procuração eletrônica no e-CAC. Ela é revogada e concedida ao escritório novo.

E o hospital, precisa saber?

Não precisa, porque a sua empresa continua a mesma. O que não pode mudar é a emissão de nota, para o pagamento não atrasar.

Perco o histórico da minha empresa?

Não, se a documentação for entregue. Balanço, folha e declarações são a memória da empresa, e é por isso que a lista de entrega importa tanto.

Posso trocar tendo débito em aberto?

Pode. O débito não impede a troca, ele só precisa ser conhecido antes. Levantar a situação fiscal na entrada evita a conversa desconfortável de descobrir depois.

E se eu quiser voltar para o escritório antigo?

É possível, e o procedimento é o mesmo, na direção contrária. O que costuma pesar é o desgaste da segunda transição, então vale escolher bem na primeira.

Preciso trocar de certificado digital?

Não. O certificado é da empresa e continua o mesmo. O que muda é quem tem acesso a ele, e isso precisa ficar sob o seu controle.

Preciso avisar o CRM ou algum conselho?

Não. A troca de contabilidade não muda o registro da pessoa jurídica no Conselho Regional de Medicina nem o diretor técnico indicado.

Posso trocar no meio de um parcelamento?

Pode. O parcelamento é da empresa e continua valendo. O que precisa acontecer é o escritório novo receber o demonstrativo das parcelas, para não perder o controle dos vencimentos.

O que acontece se eu trocar sem termo de transferência?

A troca continua válida, mas a divisão de responsabilidade fica sem registro. Se aparecer autuação de período antigo, não existe documento dizendo onde termina a responsabilidade de um profissional e começa a do outro.

O escritório novo consegue ver o que foi feito antes?

Com a procuração eletrônica no e-CAC e o acesso ao portal do Simples, ele vê as declarações entregues e a situação de débitos. O que não aparece por lá é a contabilidade completa, que precisa vir do escritório anterior. A lista está em O que pedir ao contador antigo antes de sair.

Onde a Ethos entra

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