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- 1. Anexo V com folha que já daria para o Anexo III
- 2. Equiparação hospitalar nunca avaliada
- 3. Retenção do convênio não abatida
- 4. Imposto pago sobre glosa
- 5. Funcionário fora do eSocial ou com evento atrasado
- 6. Distribuição de lucro sem balanço
- O erro que não é da contabilidade, mas aparece nela
- Um roteiro de auditoria em uma tarde
- Quanto cada erro custa por ano
- Perguntas frequentes
- Onde a Ethos entra
Clínica tem mais superfície de erro que uma PJ individual: folha, convênio, procedimento, estrutura, sócios. Cada uma dessas frentes tem um erro clássico, e a maior parte deles não gera multa imediata. Ela gera pagamento a maior, todo mês, sem ninguém perceber.
Estes são os seis que mais aparecem, com o jeito de conferir cada um sozinho.
1. Anexo V com folha que já daria para o Anexo III
É o mais caro e o mais comum.
O serviço médico entra pelo Anexo V do Simples, com alíquota inicial perto de 15,5%. Quando a folha dos últimos doze meses atinge 28% do faturamento do mesmo período, passa para o Anexo III, que começa em 6%.
Clínica costuma ter folha. Recepção, auxiliar, técnico, mais o pró-labore dos sócios. Muita clínica cruza os 28% ao contratar e ninguém refaz a conta.
Como conferir: some a folha dos últimos doze meses, some o faturamento do mesmo período, divida. Se der 28% ou mais e a sua guia está no Anexo V, existe erro. Use a calculadora de Fator R.
Um detalhe que engana até quem faz a conta: comparações de percentual em planilha às vezes retornam 27,999 por arredondamento em valores que deveriam dar exatamente 28%. Se o seu índice está em cima da linha, confira com margem.
2. Equiparação hospitalar nunca avaliada
Clínica no Lucro Presumido que realiza procedimento pode reduzir a base de cálculo do IRPJ de 32% para 8%, e a da CSLL para 12%.
O requisito formal é ser sociedade empresária registrada na Junta Comercial e atender às normas sanitárias aplicáveis. Consulta simples é expressamente excluída, então clínica que só atende consulta não se beneficia.
Como conferir: olhe a natureza jurídica no cartão do CNPJ e veja se a clínica presta serviço que se equipara. Se sim e ninguém nunca avaliou, existe dinheiro na mesa. Detalhes em Equiparação hospitalar: quando a clínica paga menos.
3. Retenção do convênio não abatida
Operadora costuma reter tributo no pagamento. No Simples, essa retenção é abatida do DAS da competência.
Retenção não aproveitada é imposto pago duas vezes, e ela some com facilidade quando a clínica fatura para várias operadoras com demonstrativos diferentes.
Como conferir: pegue três competências aleatórias do último ano. Some as retenções destacadas nas notas e nos demonstrativos das operadoras. Compare com o campo de retenções do extrato do PGDAS. Se der diferença nas três, o problema é sistemático.
Está detalhado em Convênio médico: glosa, retenção e nota fiscal.
4. Imposto pago sobre glosa
Este é o erro que mais dói, porque é imposto sobre dinheiro que nunca entrou.
A clínica envia a produção, emite a nota pelo valor produzido, e a operadora glosa parte. O valor glosado não é recebido, mas se a nota foi emitida pelo valor cheio e não foi ajustada, o tributo incide sobre ele.
Como conferir: compare o valor das notas emitidas para cada operadora com o valor efetivamente pago por ela, competência a competência. Diferença recorrente sem ajuste de nota é sinal de que a clínica está pagando tributo sobre glosa.
5. Funcionário fora do eSocial ou com evento atrasado
O eSocial tem prazo próprio para cada evento: admissão antes do início do trabalho, afastamento, férias, exame ocupacional, desligamento.
Multa por evento fora do prazo é automática e não depende de fiscalização. Clínica com rotatividade de recepção e auxiliar acumula isso rápido.
Como conferir: peça o relatório de eventos transmitidos e compare com as movimentações do período. O detalhe está em eSocial para clínica: o que enviar e quando.
6. Distribuição de lucro sem balanço
A clínica fatura, os sócios retiram, e não existe escrituração contábil completa demonstrando o lucro.
Sem balanço, o valor retirado tende a ser tratado como remuneração, com a incidência previdenciária correspondente. E em 2026 a regra da distribuição mudou, com retenção sobre valores altos pagos pela mesma empresa ao mesmo sócio.
Como conferir: pergunte se existe balanço encerrando o último exercício. Se a resposta for que a clínica é do Simples e não precisa, é justamente o erro.
O erro que não é da contabilidade, mas aparece nela
Vale citar porque é o mais frequente de todos: não separar o dinheiro da clínica do dinheiro dos sócios.
Conta única, despesa pessoal saindo do caixa da clínica, retirada sem critério. O efeito é que não há como apurar lucro, não há como saber se a clínica dá resultado, e não há base para distribuição.
Nenhum contador resolve isso de fora. Ele começa com uma conta bancária separada e uma regra de retirada.
Um roteiro de auditoria em uma tarde
Se você quer saber onde a sua clínica está, junte:
- Os doze últimos extratos do PGDAS
- Os doze últimos relatórios de folha
- As notas emitidas no período
- Os demonstrativos de pagamento das operadoras
- O balanço do último exercício, se existir
- O cartão do CNPJ e a licença sanitária
Com isso dá para responder as seis perguntas deste texto. E o mais importante: dá para levar tudo isso para uma segunda opinião sem depender de quem fez.
Se mais de dois itens vierem errados, vale considerar a troca, cujo roteiro está em Como trocar de contador sem parar a clínica.
Quanto cada erro custa por ano
Vale ordenar por tamanho, porque nem todos merecem a mesma urgência.
Anexo errado. É o maior de todos. A diferença entre a alíquota inicial do Anexo V e a do Anexo III é de quase dez pontos percentuais, aplicada sobre o faturamento inteiro. Numa clínica que fatura 80 mil por mês, isso é a maior linha de custo evitável do ano.
Equiparação não avaliada. No Lucro Presumido, a base do IRPJ caindo de 32% para 8% reduz o imposto a uma fração. Vale muito em clínica com procedimento e folha pequena.
Imposto sobre glosa. Proporcional ao percentual glosado. Clínica com glosa recorrente de 5% a 10% da produção paga tributo sobre isso todo mês.
Retenção não abatida. Igual ao valor retido e não aproveitado, competência a competência.
eSocial fora do prazo. Multa por evento. Individualmente pequena, relevante em clínica com rotatividade.
Distribuição sem balanço. Não custa nada até custar tudo. O risco é a reclassificação de vários anos de retirada, com incidência previdenciária.
A ordem sugere por onde começar: confira o anexo hoje, avalie a equiparação neste mês, e trate glosa e retenção na conciliação do próximo fechamento.
Perguntas frequentes
Dá para recuperar o que foi pago a mais?
Onde houve erro de classificação ou retenção não aproveitada, existe caminho de retificação e recuperação, respeitado o prazo legal. Onde apenas faltou folha para o Fator R, o ajuste vale para frente.
Meu contador diz que clínica é sempre Anexo V. Está certo?
Não. O serviço médico parte do Anexo V e migra para o Anexo III pelo Fator R. Clínica com equipe costuma ter índice suficiente.
Preciso de balanço mesmo estando no Simples?
Para distribuir lucro com o tratamento correspondente, sim. A dispensa de escrituração para fins do próprio Simples não elimina a necessidade de demonstrar o lucro.
Como sei se a glosa está sendo tratada certo?
Comparando nota emitida com pagamento recebido, por operadora e por competência. Diferença recorrente sem ajuste é o sinal.
Vale a pena uma segunda opinião mesmo estando satisfeito?
Os seis erros deste texto não geram reclamação do cliente, porque eles não travam nada. Eles só custam dinheiro em silêncio. Revisar uma vez por ano é barato.
Descobri um erro. Devo trocar de escritório imediatamente?
Não necessariamente. Vale apresentar o achado e ver a resposta. Escritório que confere, explica e corrige resolve o problema. Escritório que minimiza sem olhar os números é outro sinal, e o roteiro da troca está em Como trocar de contador sem parar a clínica.
Com que frequência devo revisar isso?
O anexo merece conferência mensal, porque ele muda com a janela de doze meses. Glosa e retenção entram na conciliação de cada fechamento. Equiparação, balanço e eSocial cabem numa revisão anual.
Meu contador nunca comentou nenhum desses pontos. Isso é normal?
É comum, e é justamente o que separa apuração de acompanhamento. Nenhum desses seis erros trava a clínica, então eles não geram reclamação e podem passar anos despercebidos.
Isso tudo vale para consultório pequeno?
Os itens 1, 3, 4 e 6 valem igual. O item 5 só aparece com funcionário, e o item 2 depende de a clínica realizar procedimento.
Onde a Ethos entra
Revisamos esses seis pontos na entrada de qualquer clínica, antes de assumir a rotina, porque é onde costuma estar o dinheiro parado. Veja como atendemos clínicas e consultórios ou fale com a gente.
O ajuste que faz uma empresa de serviço pagar metade do imposto
Duas clínicas faturam os mesmos R$ 30 mil por mês. Uma paga R$ 2.580 de imposto, a outra paga R$ 5.025. A diferença tem nome, tem fórmula, e dá para conferir em cinco minutos.
- Como a alíquota efetiva funciona, com exemplo resolvido
- A régua dos 28% e as duas tabelas lado a lado
- A conta de quando aumentar o pró-labore compensa
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