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O Fator R é a divisão entre a folha de pagamento dos últimos doze meses e o faturamento dos últimos doze meses. Dando 28% ou mais, o serviço médico é tributado pelo Anexo III do Simples, que começa em 6%. Dando menos, cai no Anexo V, que começa perto de 15,5%.
Clínica tem uma vantagem grande aqui em relação ao médico que atua sozinho: ela já tem folha. Recepção, auxiliar, técnico, mais o pró-labore dos sócios. Muita clínica cruza os 28% ao contratar e nunca refaz a conta.
A fórmula
Fator R = folha dos últimos 12 meses / faturamento dos últimos 12 meses
A janela é móvel: cada competência olha os doze meses anteriores. Por isso o índice se move devagar, e por isso ajuste feito em dezembro não corrige o ano.
O que entra na folha
Entra:
- Pró-labore dos sócios, com o INSS correspondente
- Salários dos funcionários registrados
- Encargos e FGTS sobre a folha
- Décimo terceiro
- Férias e o terço constitucional
Não entra:
- Distribuição de lucro
- Pagamento a autônomo por RPA
- Nota fiscal de outra pessoa jurídica, inclusive de médico PJ contratado
- Estagiário sem vínculo empregatício
- Retirada informal sem lançamento
Os dois itens que mais geram engano em clínica são o RPA e a PJ contratada. Pagar um médico por recibo de autônomo ou contra nota da PJ dele não sobe o seu Fator R, mesmo sendo custo alto. Está tratado em Médico sócio ou médico contratado: como formalizar.
Um exemplo
Clínica que fatura 80 mil por mês, 960 mil no ano.
Para atingir os 28%, ela precisa de cerca de 268.800 de folha no ano, algo perto de 22.400 por mês.
Suponha que a equipe custe 14 mil por mês em folha com encargos. Faltam 8.400, que precisam sair do pró-labore dos sócios. Com dois sócios, são 4.200 cada.
Se esse valor de pró-labore já faz sentido para os sócios, a clínica está no Anexo III sem esforço adicional. Se não faz, a conta precisa ser comparada: a economia de alíquota contra o custo do INSS sobre o pró-labore adicional.
Faça com os seus números na calculadora de Fator R.
Por que na clínica a conta costuma fechar
Três razões:
A folha já existe. Diferente do plantonista, a clínica não precisa criar folha do zero. Ela precisa somar o que já paga.
O pró-labore dos sócios entra. Dois ou três sócios com retirada regular somam rápido.
A folha cresce com a operação. Clínica que contrata para atender mais gente melhora o índice como efeito colateral.
Isso significa que muita clínica já tem direito ao Anexo III e está no Anexo V simplesmente porque ninguém conferiu.
O erro de arredondamento que muda o anexo
Vale um aviso técnico. Comparar o Fator R com 28% em planilha ou sistema parece trivial e não é.
Valores que deveriam dar exatamente 28% às vezes retornam 27,999 por causa de como o computador guarda números decimais. O efeito é a clínica cair no Anexo V tendo exatamente o índice necessário, e dobrar a alíquota inicial.
Se o seu índice está bem em cima da linha, trabalhe com uma folga pequena em vez de mirar o valor exato.
Quando o Anexo V está certo
Nem sempre migrar compensa. Se a clínica tem folha baixa e faturamento alto, o pró-labore necessário pode custar mais em INSS do que a economia de alíquota.
A conta certa é: economia anual de imposto menos custo anual adicional de INSS. Saldo negativo significa que ficar no Anexo V é a decisão correta.
O que não pode é ninguém ter feito essa conta.
Contratar sobe o Fator R?
Sobe, porque salário entra na folha. Mas contratar alguém que a clínica não precisa custa mais que a economia, entre salário, encargos e provisões.
A ordem correta: se a contratação faz sentido para a operação, ela ainda melhora o enquadramento. Se não faz, o caminho é pró-labore.
Dimensione o custo real na calculadora do custo de um funcionário. Um detalhe favorável: nos anexos III e V, a contribuição previdenciária patronal já está dentro do DAS, o que reduz o custo de contratar em relação a empresa fora do Simples.
Como conferir a sua clínica hoje
- Some a folha dos últimos doze meses. Pró-labore, salários, encargos, FGTS, décimo terceiro e férias.
- Some o faturamento dos últimos doze meses. Está no extrato do PGDAS.
- Divida.
- Abra o extrato do PGDAS da última competência e veja em qual anexo a receita foi classificada.
- Compare. Índice acima de 28% com apuração no Anexo V é erro.
Se der erro, existe caminho de retificação e recuperação do que foi pago a mais, respeitado o prazo legal. O levantamento é competência a competência.
O efeito de cada decisão de equipe no índice
Vale entender como cada escolha de contratação mexe no Fator R, porque a decisão trabalhista e a fiscal andam juntas.
Contratar pela CLT. Sobe o índice pelo valor cheio: salário, encargos, FGTS e as provisões de férias e décimo terceiro entram na folha.
Contratar médico como PJ. Não sobe nada. A nota da pessoa jurídica dele é despesa, não folha.
Pagar médico por RPA. Não sobe o índice. O RPA é pagamento a autônomo, não integra a folha para esse fim, mesmo gerando contribuição previdenciária.
Aumentar o pró-labore dos sócios. Sobe o índice, e é o caminho mais direto quando falta pouco.
Trocar CLT por PJ para economizar encargo. Derruba o índice. É a decisão que mais costuma pegar clínica de surpresa: a economia de encargo aparece na hora, e a subida da alíquota do Simples aparece meses depois, conforme a folha antiga sai da janela de doze meses.
Esse último ponto merece cuidado. Antes de trocar o formato de contratação de qualquer pessoa da equipe, vale refazer a conta do Fator R considerando o índice doze meses à frente. A comparação entre os formatos está em Médico sócio ou médico contratado: como formalizar.
Perguntas frequentes
O Fator R é calculado todo mês?
Sim, a cada competência, sempre olhando os doze meses anteriores. Por isso ele muda devagar.
Pró-labore de sócio que não trabalha conta?
Não. Sócio que não trabalha na clínica recebe lucro, e lucro não compõe folha.
Se a clínica tem dois sócios, os pró-labores somam?
Somam. A folha do Fator R é a folha inteira da empresa, incluindo todos os pró-labores.
Contratar um médico como PJ ajuda?
Não ajuda o Fator R, porque nota de pessoa jurídica não é folha. Ajuda a operação, mas não o índice. É uma das razões de a decisão entre CLT, PJ e RPA não ser só trabalhista.
E se a clínica tem faturamento sazonal?
O índice olha doze meses, então mês forte e mês fraco se compensam. O que atrapalha é fazer pró-labore só nos meses bons.
Vale a pena aumentar o pró-labore só em dezembro?
Não. Concentrar a retirada gera pico de imposto de renda na fonte, e o índice sobe e desce conforme a janela móvel. Definir o valor no começo do ano e pagar todo mês custa menos.
Achei erro no meu enquadramento. Dá para recuperar?
Onde a apuração saiu no Anexo V tendo índice para o Anexo III, existe caminho de retificação das declarações e de recuperação do que foi pago a mais, respeitado o prazo legal. O levantamento é competência a competência.
Estagiário conta na folha?
Bolsa de estágio, dentro da lei do estágio, não é vínculo empregatício e não integra a folha para esse fim. Ela é custo sem retorno no índice.
Sócio que só recebe lucro pode passar a receber pró-labore?
Pode, se ele efetivamente trabalha na clínica. Sócio que trabalha deve ter pró-labore, e isso ajuda o índice. Sócio que não trabalha recebe lucro.
O décimo terceiro entra de uma vez no cálculo?
Ele entra como folha da competência em que é pago. Como a janela é de doze meses, ele acaba contando o ano inteiro, saindo apenas quando passa da janela.
O Fator R vale se a clínica está no Lucro Presumido?
Não. O Fator R é regra do Simples Nacional. No Presumido, o que muda a conta é a equiparação hospitalar, tratada em Equiparação hospitalar: quando a clínica paga menos.
Onde a Ethos entra
Refazemos essa conta todo mês e avisamos quando falta pouco para virar o anexo, em vez de conferir uma vez por ano. Veja como atendemos clínicas e consultórios ou fale com a gente.
O ajuste que faz uma empresa de serviço pagar metade do imposto
Duas clínicas faturam os mesmos R$ 30 mil por mês. Uma paga R$ 2.580 de imposto, a outra paga R$ 5.025. A diferença tem nome, tem fórmula, e dá para conferir em cinco minutos.
- Como a alíquota efetiva funciona, com exemplo resolvido
- A régua dos 28% e as duas tabelas lado a lado
- A conta de quando aumentar o pró-labore compensa
Guia do Fator R em PDF
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