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O salário é menos da metade da conta. Quem orça a contratação pelo valor do contracheque descobre o resto no primeiro mês, e o pior aparece só na rescisão.
Existe uma boa notícia para clínica no Simples Nacional: o multiplicador é bem menor que o de empresa fora do regime, porque a contribuição previdenciária patronal já está dentro do DAS.
Os blocos que compõem o custo
1. O salário
O piso da categoria costuma ser definido em convenção coletiva. Vale conferir qual sindicato representa a função na sua região, porque o piso e os benefícios obrigatórios saem dali.
2. FGTS
8% sobre a remuneração, depositado todo mês. Vale para clínica no Simples e fora dele, sem exceção.
3. Encargos previdenciários patronais
Aqui está a diferença que mais pesa.
Fora do Simples: INSS patronal de 20%, mais terceiros de 5,8%, mais RAT de 1%, 2% ou 3% conforme o grau de risco da atividade.
No Simples, anexos III e V: essa contribuição já está dentro do DAS. A clínica não recolhe INSS patronal, terceiros nem RAT sobre a folha.
O efeito prático é que o multiplicador sobre o salário cai de algo próximo de 1,6 para algo próximo de 1,33.
4. Provisões
São valores que a clínica vai pagar mais adiante e que precisam ser reservados desde já:
- Férias mais um terço, provisionadas mensalmente
- Décimo terceiro, provisionado mensalmente
- FGTS sobre férias e décimo terceiro
- Multa de 40% do FGTS, para o caso de demissão sem justa causa
A multa do FGTS é a que mais surpreende. Ela não aparece em nenhum mês e aparece inteira na rescisão.
5. Benefícios
Vale-transporte, com desconto limitado ao percentual legal sobre o salário, e o que a convenção coletiva determinar: vale-refeição, cesta, plano de saúde.
Em clínica, o plano de saúde para a equipe costuma ser uma expectativa natural, e ele entra no custo mesmo quando não é obrigatório.
6. Custos de admissão e manutenção
Exame admissional, exame periódico, uniforme, treinamento. Individualmente pequenos, relevantes em função com rotatividade alta.
O número prático
Para clínica no Simples, nos anexos III e V, um caminho rápido de estimativa é multiplicar o salário por algo em torno de 1,33 e somar os benefícios.
Para empresa fora do Simples, o multiplicador sobe para perto de 1,6 antes dos benefícios.
Faça a conta exata com os seus valores na calculadora do custo de um funcionário, que separa cada bloco.
O retorno que ninguém coloca na conta
Contratar melhora o seu Fator R.
O índice compara a folha dos últimos doze meses com o faturamento do mesmo período. Chegando a 28%, a clínica sai do Anexo V, com alíquota inicial perto de 15,5%, e passa ao Anexo III, que começa em 6%.
Ou seja: parte do custo da contratação volta como redução de alíquota. Em clínica que está perto da linha dos 28%, a recepcionista pode se pagar parcialmente por essa via.
O cuidado é a ordem. Contrate porque a operação precisa. A melhora do enquadramento é consequência, não motivo. Confira o seu índice na calculadora de Fator R e o detalhe em Fator R de clínica: como calcular.
CLT, PJ ou autônomo para a recepção
A pergunta aparece sempre, e para essa função a resposta é quase sempre CLT.
Recepcionista trabalha em horário definido, no local da clínica, com subordinação e habitualidade. Isso é vínculo empregatício pela descrição, e contratar de outra forma cria risco trabalhista real.
Existe ainda o efeito fiscal: nota de pessoa jurídica e recibo de autônomo não integram a folha do Fator R. A economia de encargo aparece na hora, e a alíquota maior do Simples aparece meses depois, conforme a folha antiga sai da janela de doze meses.
A comparação entre formatos de contratação está em Médico sócio ou médico contratado: como formalizar.
Um exemplo somando os blocos
Considere uma recepcionista com salário de 2.200 numa clínica optante pelo Simples, tributada pelo Anexo III.
Todo mês saem:
- Salário de 2.200
- FGTS de 8%, cerca de 176
- Provisão de férias com um terço, cerca de 244 por mês
- Provisão de décimo terceiro, cerca de 183 por mês
- FGTS sobre essas provisões
- Vale-transporte, descontado o limite legal do salário
- O que a convenção coletiva determinar de vale-refeição ou cesta
Não sai: INSS patronal, terceiros e RAT, porque nos anexos III e V eles já estão dentro do DAS.
Aparece só na saída: a multa de 40% sobre o saldo do FGTS depositado, em caso de demissão sem justa causa.
A mesma contratação numa empresa fora do Simples teria mais 20% de INSS patronal, 5,8% de terceiros e o RAT, o que muda bastante o total.
Rode com os seus valores na calculadora do custo de um funcionário.
O que precisa estar pronto antes da admissão
- Exame médico admissional, realizado antes do início do trabalho
- Evento de admissão no eSocial, transmitido antes do primeiro dia
- Contrato de trabalho assinado, com função e jornada definidas
- Registro em livro ou sistema de ponto, conforme a exigência aplicável
- Documentação de benefícios, com opção de vale-transporte formalizada
O segundo item tem prazo rígido e multa automática. Está detalhado em eSocial para clínica: o que enviar e quando.
O custo de errar
Admissão sem eSocial no prazo. Multa automática, independentemente de fiscalização.
Sem exame admissional. Além da multa, fragiliza a clínica em qualquer discussão sobre saúde ocupacional.
Contratar como PJ ou autônomo função com subordinação. Risco de reconhecimento de vínculo, com todas as verbas do período, mais FGTS e encargos.
Não provisionar férias e décimo terceiro. O custo existe desde o primeiro mês; ignorá-lo só transfere o aperto para dezembro e para a rescisão.
Como a convenção coletiva muda a conta
Muita clínica orça pelo salário que pretende pagar e descobre depois que a convenção coletiva da categoria exige mais.
O que costuma vir dela:
- Piso salarial da função, que pode ser maior que o mínimo
- Reajuste anual na data-base, obrigatório independentemente de desempenho
- Benefícios obrigatórios, como vale-refeição ou cesta básica
- Adicionais previstos para condições específicas
- Regras de jornada, como intervalo e compensação
- Contribuição assistencial ou sindical, conforme o que estiver válido
A convenção aplicável depende do sindicato que representa a categoria na sua base territorial. Em clínica, isso pode variar conforme a função: recepção e auxiliar de enfermagem podem estar sob convenções diferentes.
Levantar isso antes da contratação evita ter que corrigir salário retroativamente, o que acontece quando a clínica contrata abaixo do piso sem saber.
Perguntas frequentes
Quanto custa demitir?
Aviso prévio, férias proporcionais com um terço, décimo terceiro proporcional, saldo de salário e a multa de 40% sobre o FGTS depositado. Por isso a provisão importa.
Experiência reduz o custo?
O contrato de experiência tem prazo determinado e regras próprias de encerramento, o que muda a conta da rescisão dentro do prazo. Ele não reduz encargos nem provisões durante a vigência.
Posso contratar meio período?
Pode, com jornada reduzida e salário proporcional, respeitados o piso e as regras da convenção coletiva. Os encargos e provisões seguem proporcionais.
Contratar familiar muda alguma coisa?
Do ponto de vista trabalhista, se há subordinação, jornada e habitualidade, há vínculo, e o registro é o caminho. Do ponto de vista fiscal, a folha conta normalmente no Fator R.
O aprendiz ou o estagiário ajudam no Fator R?
Estágio dentro da lei do estágio não é vínculo empregatício e não integra a folha para esse fim. Aprendiz tem contrato de trabalho e entra na folha.
Preciso pagar plano de saúde para a equipe?
Só se a convenção coletiva exigir. Muita clínica oferece por expectativa da categoria, e nesse caso ele entra no custo como qualquer outro benefício.
O salário da recepcionista pode ser variável?
Parte fixa com parte variável é possível, respeitados o piso e as regras da convenção. O variável integra a remuneração para efeito de encargos e provisões, então ele conta na folha do Fator R.
Vale a pena contratar duas pessoas meio período?
É decisão operacional. Fiscalmente, o que conta é o total da folha, então duas meias jornadas somam o mesmo que uma integral de valor equivalente.
Onde a Ethos entra
Dimensionamos o custo cheio antes da contratação e mostramos o efeito dela no seu Fator R, para a decisão ser tomada com os dois números na mesa. Veja como atendemos clínicas e consultórios ou fale com a gente.
O ajuste que faz uma empresa de serviço pagar metade do imposto
Duas clínicas faturam os mesmos R$ 30 mil por mês. Uma paga R$ 2.580 de imposto, a outra paga R$ 5.025. A diferença tem nome, tem fórmula, e dá para conferir em cinco minutos.
- Como a alíquota efetiva funciona, com exemplo resolvido
- A régua dos 28% e as duas tabelas lado a lado
- A conta de quando aumentar o pró-labore compensa
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