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O Simples Nacional tem dois limites diferentes, e confundi-los é comum. O teto é o valor de receita bruta anual acima do qual a empresa é excluída do regime. O sublimite é um valor menor, a partir do qual o ICMS e o ISS saem do recolhimento único, sem que a empresa saia do Simples.
Para 2026, o sublimite de receita bruta anual para recolhimento de ICMS e ISS foi mantido em R$ 3,6 milhões.
O que acontece ao ultrapassar
A empresa continua no Simples para IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI e contribuição previdenciária patronal.
O que muda é o ICMS: ele passa a ser apurado e recolhido separadamente ao estado, seguindo a legislação estadual normal, com débito e crédito.
Ou seja, a empresa passa a ter duas apurações: o DAS reduzido, sem o ICMS, e a apuração estadual de ICMS.
Quando o efeito começa
A regra de transição importa e costuma confundir.
Ultrapassado o sublimite, o efeito não é imediato. Ele depende de quanto foi ultrapassado:
Excesso de até 20%: o recolhimento separado do ICMS começa no ano seguinte.
Excesso acima de 20%: o efeito é antecipado, começando no mês seguinte ao da ultrapassagem.
Essa diferença é o que separa uma transição planejada de uma corrida. Acompanhar o acumulado ao longo do ano é o que permite escolher.
O que muda na prática
A apuração fica mais complexa
O ICMS passa a ser apurado por débito e crédito, com escrituração completa, guia própria e prazo estadual.
A empresa passa a aproveitar crédito
Este é o lado positivo, e ele costuma ser subestimado.
Dentro do sublimite, a indústria no Simples não aproveita crédito de ICMS sobre as compras. Acima dele, ela passa a aproveitar: matéria-prima, insumo, energia elétrica de processo produtivo, frete e ativo imobilizado, conforme as regras estaduais.
Para indústria com muita compra de insumo, esse crédito pode compensar boa parte do ICMS a recolher. Está em Crédito de ICMS na indústria: o que dá para aproveitar.
O cliente passa a aproveitar crédito integral
Outro efeito favorável. Empresa dentro do sublimite gera crédito reduzido para o comprador. Acima dele, a nota destaca o ICMS normalmente, e o cliente aproveita crédito integral.
Para indústria que vende para empresas do Lucro Real, isso melhora a competitividade.
Aparecem obrigações estaduais
Escrituração fiscal digital com a apuração de ICMS, guias próprias e as declarações que o estado exigir.
O cálculo que vale fazer antes
Como ultrapassar o sublimite tem efeitos nos dois sentidos, vale simular antes de chegar lá:
- Quanto de ICMS a empresa recolherá por débito e crédito, com a alíquota estadual aplicável
- Quanto de crédito ela passará a aproveitar sobre insumo, energia e ativo
- Quanto o DAS diminui, com a saída do ICMS
- Quanto de competitividade ela ganha em venda para empresas que aproveitam crédito
- Quanto custa a complexidade adicional de apuração e obrigações
Em indústria com muita compra de insumo, os itens 2 e 4 costumam superar o item 1. Em indústria com pouca compra e margem alta, o resultado é o oposto.
O sublimite e o teto
Vale não confundir:
Sublimite: R$ 3,6 milhões para 2026. Acima dele, o ICMS sai do DAS e a empresa continua no Simples.
Teto: valor maior, acima do qual a empresa é excluída do Simples e passa ao Lucro Presumido ou Real.
Entre um e outro existe uma faixa em que a empresa está no Simples recolhendo ICMS por fora. É uma situação intermediária e ela funciona.
Como acompanhar
O acumulado dos últimos doze meses aparece no extrato do PGDAS de cada competência.
Uma prática que evita surpresa: acompanhar mensalmente e projetar o fechamento do ano. Chegando perto do sublimite no meio do ano, dá para decidir se vale acelerar ou segurar faturamento, e principalmente dá para preparar a estrutura de apuração.
O que não funciona é descobrir em dezembro. Nesse caso não há tempo de preparar sistema, escrituração e processo.
O que preparar antes de cruzar a linha
- Sistema com apuração de ICMS por débito e crédito
- Cadastro de produtos revisado, com NCM, CST e CFOP corretos
- Controle de crédito sobre insumo, energia e ativo imobilizado
- Revisão da precificação, porque o destaque do ICMS muda a nota
- Comunicação com clientes, especialmente os que aproveitam crédito
O item 4 merece atenção: com o ICMS destacado, o preço praticado precisa ser revisto, e a conversa com o cliente é diferente, porque ele passa a aproveitar mais crédito.
Um exemplo com números
Uma indústria fatura R$ 350 mil por mês, o que dá R$ 4,2 milhões ao ano. Ela ultrapassou o sublimite de R$ 3,6 milhões.
Dentro do sublimite, o DAS incluía o ICMS. A empresa não aproveitava crédito sobre compras, e o cliente aproveitava crédito reduzido.
Acima do sublimite, três coisas mudam ao mesmo tempo:
O DAS diminui, porque o ICMS sai dele.
Aparece a apuração estadual de ICMS, com débito sobre as vendas e crédito sobre as compras de matéria-prima, insumo, energia de processo produtivo, frete e ativo imobilizado.
O cliente passa a aproveitar crédito integral, o que melhora a posição competitiva em venda B2B.
Numa indústria com custo de matéria-prima e energia relevante, o crédito costuma absorver boa parte do débito. O resultado líquido depende da margem e da estrutura de custo, e é por isso que a simulação precisa ser feita com os números reais.
O que costuma dar errado na transição
Sistema não preparado. Apurar ICMS por débito e crédito exige escrituração que muita empresa do Simples nunca precisou fazer.
Cadastro de produtos desatualizado. NCM, CST e CFOP errados travam a emissão e a apuração.
Crédito não aproveitado. A empresa passa a ter direito e não levanta, especialmente energia elétrica e ativo imobilizado.
Preço não revisado. Com o ICMS destacado, a nota muda e a conversa com o cliente também.
Prazo estadual perdido. A guia de ICMS tem vencimento próprio, diferente do DAS.
Os cinco se resolvem com preparação. Nenhum se resolve bem no mês em que a mudança acontece.
Um roteiro de preparação
Se o seu acumulado está passando de dois terços do sublimite, comece agora:
- Projete o fechamento do ano com o ritmo atual de faturamento
- Simule a apuração de ICMS por débito e crédito, com a alíquota estadual e o crédito que você passará a aproveitar
- Revise o cadastro de produtos, com NCM, CST e CFOP
- Verifique se o sistema suporta a apuração completa de ICMS
- Levante o crédito potencial sobre insumo, energia e ativo imobilizado
- Recalcule o preço considerando o ICMS destacado
- Prepare a conversa com os clientes que aproveitam crédito
O passo 5 é o que costuma surpreender positivamente: empresa que nunca aproveitou crédito descobre um volume relevante disponível, especialmente em energia elétrica de processo produtivo.
Perguntas frequentes
O sublimite é anual ou proporcional?
Para empresa em início de atividade, o valor é proporcional aos meses de funcionamento no ano. Isso importa para quem abre no meio do ano com faturamento alto.
O sublimite vale para todos os estados?
O valor é definido nacionalmente, e existe a possibilidade de os estados adotarem sublimite diferente conforme a participação deles no PIB, o que precisa ser confirmado no seu estado.
E o ISS?
A mesma lógica vale para o ISS na prestação de serviço. Para indústria, o que importa é o ICMS.
Posso escolher recolher o ICMS por fora antes de atingir o sublimite?
Não. O recolhimento separado decorre da ultrapassagem, não de opção.
O que acontece se eu ultrapassar e não me adequar?
A empresa fica com apuração incorreta, recolhendo o ICMS dentro do DAS quando deveria recolher por fora, o que gera diferença a pagar e multa.
Ultrapassar o sublimite me tira do Simples?
Não. Só o teto exclui. O sublimite apenas retira o ICMS do recolhimento único.
Vale a pena segurar o faturamento para não ultrapassar?
Raramente. Para indústria com compra de insumo relevante, o crédito que ela passa a aproveitar costuma tornar a situação acima do sublimite melhor, e não pior.
Como isso conversa com a reforma tributária?
A reforma substitui o ICMS pelo IBS ao longo da transição, o que muda esse desenho no futuro. Está em Reforma tributária na indústria.
Onde a Ethos entra
Acompanhamos o acumulado mês a mês e simulamos o cenário acima do sublimite com antecedência, incluindo o crédito que a empresa passa a aproveitar. Veja como atendemos indústrias ou fale com a gente.
O ajuste que faz uma empresa de serviço pagar metade do imposto
Duas clínicas faturam os mesmos R$ 30 mil por mês. Uma paga R$ 2.580 de imposto, a outra paga R$ 5.025. A diferença tem nome, tem fórmula, e dá para conferir em cinco minutos.
- Como a alíquota efetiva funciona, com exemplo resolvido
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