Navegue rápido pelo artigo
O custo de abrir um comércio tem três blocos: o gasto de constituição, o investimento em estoque e estrutura, e o capital de giro que sustenta o ciclo entre comprar e receber.
O terceiro é o maior de todos, e é o que quase ninguém orça.
Bloco 1: constituição
Taxas de registro. Junta Comercial, prefeitura e Sefaz, com valores próprios de cada estado e cidade.
Honorário de abertura. Contrato social, registro, CNPJ, inscrição estadual, inscrição municipal e alvará.
Inscrição estadual. O procedimento varia por estado, e alguns exigem vistoria do estabelecimento antes de conceder.
Licença sanitária, se houver alimento, bebida, cosmético, saneante ou produto de saúde, com exigências de armazenagem.
Auto de vistoria do corpo de bombeiros.
Certificado digital, sem o qual não há emissão de NF-e.
A inscrição estadual é o item que mais atrasa a abertura de um comércio, porque ela depende de endereço aprovado e, em alguns estados, de vistoria.
Bloco 2: estrutura e estoque
Imóvel. Locação ou aquisição do ponto ou do depósito, com adequação.
Estrutura de armazenagem. Prateleiras, empilhadeira, controle de temperatura conforme o produto.
Sistema de gestão. Não é opcional no comércio: cadastro de produtos, controle de estoque e emissão de NF-e com os cálculos fiscais corretos.
Estoque inicial. O maior item deste bloco.
O sistema merece destaque. No comércio, o cadastro de produtos com NCM, CEST, CST e CFOP corretos é o que define se o imposto sai certo em cada nota. Cadastro errado se repete automaticamente, em toda venda.
Bloco 3: o capital de giro
Este é o bloco que quebra comércio novo, e ele é maior que os outros dois somados em boa parte dos casos.
O ciclo é: pagar o fornecedor, estocar, vender a prazo, receber depois.
Se você compra a 30 dias e vende a 60, existe um intervalo de 30 dias que a empresa financia. E ele cresce conforme o faturamento cresce.
Some a isso dois itens específicos do comércio:
O ICMS-ST embutido no custo. Produto sujeito à substituição tributária chega com o imposto de toda a cadeia já recolhido, e esse valor está no preço de aquisição. Ele é desembolsado na compra e só volta na venda.
O estoque parado. Mercadoria que não gira é dinheiro imobilizado.
A regra prática: some o valor de um ciclo completo de compra ao custo fixo de dois a três meses. Esse é o caixa mínimo para operar sem aperto.
O custo tributário depois de abrir
No Simples, Anexo I, a alíquota nominal começa em 4% e sobe conforme o faturamento acumulado. O ICMS está incluído dentro do sublimite.
No Lucro Presumido, a base de presunção é de 8% para IRPJ e 12% para CSLL na revenda, com PIS, COFINS e ICMS por fora.
No Lucro Real, a apuração é sobre o lucro efetivo, com crédito de PIS e COFINS.
O ponto que decide, no comércio, é o crédito: no Simples a empresa não aproveita crédito de ICMS e gera crédito reduzido para o cliente, o que pesa em venda para outras empresas.
Simule na calculadora do Simples Nacional.
O custo da folha
Comércio tem folha relevante em vendas, estoque e administrativo.
No Simples, a contribuição previdenciária patronal está dentro do DAS, o que reduz o multiplicador para algo próximo de 1,33 vez o salário.
Fora do Simples, entram INSS patronal de 20%, terceiros e RAT, elevando o multiplicador para perto de 1,6.
Dimensione na calculadora do custo de um funcionário.
O que aparece depois e ninguém orçou
Perda de estoque. Vencimento, quebra, furto. Ela existe em qualquer comércio e precisa estar no preço.
Devolução. Mercadoria que volta gera nota própria e mexe no estoque e no imposto.
Ressarcimento de ICMS-ST não pedido. Não é custo, é receita que fica parada.
Taxa de cartão e antecipação de recebível. Em comércio que vende parcelado, esse custo corrói margem silenciosamente.
Inventário anual, com o trabalho de contagem e a exposição se o saldo não bater.
Um exemplo de projeção
Uma distribuidora pequena, com depósito alugado e cinco funcionários.
Antes de operar: registros, inscrição estadual, certificado digital, sistema de gestão, adequação do depósito e estoque inicial.
Todo mês: folha de cinco pessoas com encargos, aluguel, energia, honorário contábil, sistema e manutenção.
A cada ciclo: a compra do estoque de reposição, antes de receber pelo que foi vendido.
O último item é o que precisa de reserva. Numa operação com prazo de recebimento de 45 dias e prazo de pagamento de 30, a empresa financia 15 dias de faturamento continuamente, e esse valor cresce junto com as vendas.
A conta que decide o preço de venda
No comércio, formar preço é mais complexo do que parece, porque o custo de aquisição já vem com imposto embutido.
O que precisa entrar:
O custo de aquisição, com o ICMS-ST embutido quando o produto está no regime, porque não há crédito a aproveitar.
O crédito de ICMS, quando a empresa está fora do Simples e o produto não é de ST, porque ele reduz o custo real.
O imposto sobre a venda, conforme o regime e o produto.
O frete, de entrada e de saída.
A taxa de cartão e o custo de antecipação, quando houver.
A perda esperada, por vencimento, quebra ou furto.
As despesas fixas rateadas.
A margem desejada.
O erro clássico é aplicar um markup fixo sobre o custo de aquisição, ignorando que produtos de ST e produtos sem ST têm estruturas diferentes de custo tributário. O resultado é margem real diferente da planejada, produto a produto.
O que perguntar ao contratar contabilidade
Comércio tem particularidades que escritório generalista costuma tratar como se fosse prestadora. Seis perguntas separam quem lida com o setor:
- Vocês revisam o cadastro de produtos, com NCM, CEST e CFOP?
- Como conferem a substituição tributária por produto e por estado?
- Vocês levantam o ressarcimento de ICMS-ST devido?
- Como tratam a segregação de receita no PGDAS, para produtos de ST e monofásicos?
- Vocês acompanham o inventário e a coerência do estoque?
- Como calculam o DIFAL nas vendas interestaduais?
As perguntas 3 e 4 são as que mais valem dinheiro. A primeira porque o ressarcimento costuma ficar parado; a segunda porque a falta de segregação faz a empresa pagar duas vezes o mesmo imposto.
Perguntas frequentes
O ICMS-ST entra no meu custo mesmo?
Entra. Produto que chega com o imposto de toda a cadeia já recolhido não gera crédito na revenda, então o valor integra o custo de aquisição e precisa estar no preço. Está em ICMS-ST: como funciona no comércio.
Preciso de ponto comercial ou só de depósito?
Depende de a operação atender público. Distribuidora que vende para lojistas costuma precisar apenas de depósito, com o zoneamento permitindo.
Quanto custa manter o sistema de gestão?
Varia conforme o número de itens e de usuários. O que não vale é economizar nesse ponto: cadastro de produtos e controle de estoque são a base da apuração no comércio.
Quanto de estoque inicial?
Depende do giro esperado e do prazo de reposição dos fornecedores. Estoque grande demais imobiliza caixa; pequeno demais perde venda.
Posso começar sem sistema?
Não convém. O cadastro de produtos com NCM, CEST e CFOP corretos é o que faz o imposto sair certo, e planilha não dá conta em comércio com muitos itens.
Preciso de contador desde antes de abrir?
O registro exige responsável técnico contábil, e a inscrição estadual identifica o contador. Some a isso um ganho prático: estruturar o cadastro de produtos antes da primeira venda evita erro que se repete em toda nota.
Vale importar direto?
A importação exige habilitação própria e traz tributos e obrigações específicas. Ela costuma fazer sentido com volume, não no começo.
Qual o item mais subestimado?
O capital de giro, seguido do ICMS-ST embutido no custo de aquisição.
Preciso de licença sanitária?
Se trabalhar com alimento, bebida, cosmético, saneante ou produto de saúde, sim, com exigências de armazenagem próprias para o depósito.
Quanto tempo leva para abrir?
O gargalo costuma ser a inscrição estadual, que depende de endereço aprovado e, em alguns estados, de vistoria. Está em Inscrição estadual: como tirar e quem precisa.
Onde a Ethos entra
Montamos a projeção incluindo o capital de giro e o ICMS-ST embutido no custo, que são os dois itens que mais faltam nos planos de comércio que chegam até nós. Veja como atendemos distribuidoras e comércio ou fale com a gente.
O ajuste que faz uma empresa de serviço pagar metade do imposto
Duas clínicas faturam os mesmos R$ 30 mil por mês. Uma paga R$ 2.580 de imposto, a outra paga R$ 5.025. A diferença tem nome, tem fórmula, e dá para conferir em cinco minutos.
- Como a alíquota efetiva funciona, com exemplo resolvido
- A régua dos 28% e as duas tabelas lado a lado
- A conta de quando aumentar o pró-labore compensa
Guia do Fator R em PDF
8 páginas · leitura de 10 minutos · tabelas de 2026
Calculadoras gratuitas
Contas prontas com as tabelas de 2026. Resultado na hora, sem cadastro.
- CLT x PJ
- Fator R
- Simples Nacional
- Custo de funcionário
- RPA
- Reforma tributária
- Plantão médico
- Custo para abrir empresa
- Pró-labore
Leia também

Inscrição estadual: como tirar e quem precisa
Quem vende mercadoria precisa de inscrição estadual para emitir NF-e. Veja o que a Sefaz pede, o prazo e o que costuma reprovar.

Como trocar de contador sendo distribuidora
Saldo de estoque, crédito de ICMS e obrigações estaduais precisam atravessar a mudança. A ordem que evita apuração errada no primeiro mês.

Estoque que não bate ao trocar de contabilidade
A diferença aparece justamente na migração, e o fisco cruza esse número. Veja como levantar o saldo real e como regularizar sem susto.

