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A abertura em si custa parecido com a de qualquer prestador de serviço. O que muda para quem fatura fora é a camada que vem depois: câmbio, conta internacional e a documentação que comprova a exportação.
Quem orça só a abertura chega ao segundo mês com uma conta diferente da que esperava. Vale separar o que se paga uma vez do que passa a ser custo fixo, e enxergar desde já o que aparece só quando o primeiro pagamento entra.
O que se paga uma vez
Taxas de registro
Junta Comercial, cadastro federal e prefeitura. Os valores mudam de estado para estado e de cidade para cidade, e é por isso que nenhum escritório sério dá número fechado sem saber onde a empresa vai ser aberta.
A parte federal é a mais barata. A municipal costuma ser a que mais varia, porque cada prefeitura tem taxa própria de licença e de inscrição.
Honorário de abertura
O trabalho de montar o ato constitutivo, registrar e enquadrar no regime. Cobrado à parte da mensalidade.
Para quem vai exportar, esse trabalho inclui uma conferência que a abertura comum não tem: verificar se o CNAE escolhido, a atividade descrita no contrato social e a lista de serviços do município conversam entre si. Está em CNAE para exportação de serviço.
Certificado digital
Obrigatório para as obrigações fiscais e exigido pelas instituições na operação de câmbio. Vale por um período e é renovado.
Contrato com o cliente estrangeiro
Se o contrato vier pronto do contratante, o custo é de revisão. Se for você quem apresenta, é elaboração. Muita gente pula essa etapa e depois descobre que ela era a prova principal da exportação.
O que passa a ser custo fixo
Honorário contábil mensal. Empresa que exporta dá mais trabalho que a média: a apuração segrega receitas, o câmbio precisa ser conciliado e as declarações têm campos próprios.
Imposto sobre o faturamento. No Simples, a alíquota efetiva depende da faixa e do anexo, com a receita de exportação segregada. A conta sai na calculadora do Simples Nacional.
Pró-labore e a contribuição previdenciária sobre ele. Não é opcional para quem trabalha na própria empresa, e no Simples ele é também a variável do Fator R.
Custo de câmbio. Este é o custo que só existe para quem recebe de fora, e ele se repete em cada entrada.
Conta bancária empresarial. Pacote de tarifas, conforme o banco.
O custo de câmbio, que é o que surpreende
Aqui está a diferença real entre abrir uma empresa comum e abrir uma que fatura em moeda estrangeira.
Quando o dinheiro entra, ele passa por uma operação de câmbio. Você recebe em reais o valor convertido, e o custo dessa conversão tem duas partes:
O spread. A diferença entre a cotação de mercado e a cotação que a instituição aplica na sua operação. É o componente maior e o menos visível, porque não vem descrito como tarifa.
As tarifas. Valor fixo por operação, mais o que a instituição intermediária cobrar no caminho.
O ponto prático: a diferença de spread entre instituições é grande o suficiente para justificar cotação a cada recebimento relevante. Quem recebe todo mês e nunca comparou costuma estar deixando dinheiro na mesa.
O IOF sobre a entrada de receita de exportação de serviço tem tratamento próprio, e o desenho da operação decide se ele se aplica. Está em IOF zero na exportação de serviço.
A escolha entre banco tradicional e plataforma internacional muda custo e documentação. Está em Receber em dólar: conta global ou banco.
O custo invisível: comprovação
Este não vem em boleto, e é o que fica mais caro quando falta.
A empresa que exporta serviço afasta determinados tributos, e esse afastamento depende de prova: contrato, nota fiscal com tomador no exterior e câmbio registrado.
Quem não organiza isso desde o primeiro mês monta o passivo aos poucos. A conta chega quando a fiscalização pede a comprovação de um ano inteiro e a empresa consegue reunir metade.
O custo de organizar é pequeno e recorrente. O custo de reconstruir é grande e concentrado. Está em Contrato de câmbio: o que guardar.
Uma estimativa honesta
Não dá para publicar um valor único, e quem publica está chutando. O que dá para dizer com precisão é o que compõe a conta:
- Taxas de registro, que dependem do estado e da cidade
- Honorário de abertura
- Certificado digital
- Contrato com o cliente estrangeiro
- Honorário contábil mensal, a partir do primeiro mês
- Imposto sobre o faturamento, a partir da primeira nota
- Custo de câmbio, a cada recebimento
Os itens 1 a 4 são de abertura. Os itens 5 a 7 são permanentes, e é a soma deles que decide se o negócio fecha.
A calculadora de custo para abrir empresa monta a estimativa da parte inicial com os dados da sua cidade.
O que costuma ser esquecido no orçamento
A contribuição previdenciária do sócio. Quem sai da carteira assinada às vezes esquece que ela existe e volta a existir na PJ.
O imposto do primeiro mês. A empresa fatura antes de ter caixa formado, e o primeiro vencimento chega junto.
A tradução de documento, quando o contratante exige documento em outro idioma ou quando você precisa apresentar o contrato traduzido.
A variação do câmbio entre a nota e o recebimento. O valor que entra não é o valor da nota, e a diferença tem tratamento contábil próprio. Está em Variação cambial: como contabilizar.
Como montar o preço em dólar sabendo disso
A conta que quem exporta precisa fazer antes de fechar o primeiro contrato.
O valor que chega na conta da empresa não é o valor faturado. Entre um e outro existem quatro descontos, e ignorar qualquer um deles come a margem:
- O imposto sobre o faturamento, conforme a faixa e o anexo
- O custo do câmbio, composto de spread e tarifas
- A retenção na fonte no país do contratante, quando houver
- A variação da moeda entre a data da nota e a liquidação
O item 3 é o que mais surpreende, porque não aparece em nenhum orçamento brasileiro. Alguns países exigem que o contratante retenha ao pagar prestador estrangeiro, e você recebe menos do que faturou sem que ninguém tenha errado. Está em Bitributação e acordos internacionais.
O item 4 corta nos dois sentidos. A moeda pode subir entre a nota e o recebimento, e a empresa recebe mais reais do que previu. Contar com isso na formação de preço é apostar, e o caminho conservador é precificar pela cotação do dia da proposta com margem para a queda.
Empresa que fecha contrato longo em moeda estrangeira sem prever reajuste está travando o preço em real por um câmbio que não controla.
Perguntas frequentes
Abrir empresa para exportar custa mais que abrir uma comum?
O registro custa o mesmo. O que sobe é o trabalho de estruturação, porque contrato, CNAE e forma de recebimento precisam ser decididos juntos.
Dá para começar como MEI e migrar depois?
Em algumas atividades dá, e a migração é feita por alteração cadastral. Está em MEI pode receber do exterior?.
O honorário contábil é mais caro para quem exporta?
Costuma ser, porque a apuração separa receitas, o câmbio é conciliado e as obrigações têm campos próprios. A diferença aparece no trabalho mensal, não na abertura.
Preciso pagar imposto antes de o dinheiro chegar?
O fato gerador acompanha a prestação e a emissão da nota, e o câmbio pode entrar depois. É por isso que quem exporta precisa de uma folga de caixa maior no começo.
Quanto custa o certificado digital?
Depende do tipo e da validade escolhida. É o item mais previsível da lista e o de menor peso.
Existe taxa para receber em dólar?
Existe o custo do câmbio, composto de spread e tarifas, mais o que a instituição intermediária cobrar. Ele se repete a cada entrada.
Posso usar conta pessoal para reduzir custo?
Não compensa. A empresa perde a comprovação da exportação e mistura o patrimônio do sócio com o dela, o que custa muito mais na frente do que a tarifa economizada.
Tem custo para encerrar se não der certo?
Tem, e ele é maior que o de abrir. Encerramento exige regularidade fiscal e baixa nos três níveis.
O aluguel de endereço comercial é obrigatório?
Depende do município e da atividade. Serviço prestado remotamente costuma admitir endereço residencial, e a regra é local.
Quanto preciso faturar para a conta fechar?
O ponto de equilíbrio sai da soma do honorário, do imposto sobre o faturamento e do custo de câmbio. Com a alíquota do Simples e o custo fixo mensal em mãos, a conta é direta.
Vale abrir a empresa antes de ter o primeiro contrato?
Normalmente não. A empresa aberta já gera obrigação mensal e custo fixo mesmo sem faturar. O caminho comum é fechar o contrato e abrir em seguida, porque o contratante costuma dar prazo para a formalização.
Preciso pagar contador mesmo nos meses sem faturamento?
Precisa. A obrigação acessória existe faturando ou não, e empresa sem movimento continua entregando declaração. Deixar de entregar gera multa mesmo com receita zero.
O custo de câmbio é cobrado por operação ou por valor?
Pelos dois. Existe a tarifa por operação, que é fixa, e o spread, que é proporcional ao valor convertido. Isso significa que muitos recebimentos pequenos custam mais em tarifa, e um recebimento grande concentra o custo no spread. Vale combinar a periodicidade do faturamento pensando nisso.
Onde a Ethos entra
Montamos o orçamento completo de quem vai faturar fora, incluindo o custo de câmbio e a rotina de comprovação, que é o que costuma ficar de fora e depois pesa. Veja como atendemos serviços para o exterior ou fale com a gente.
O ajuste que faz uma empresa de serviço pagar metade do imposto
Duas clínicas faturam os mesmos R$ 30 mil por mês. Uma paga R$ 2.580 de imposto, a outra paga R$ 5.025. A diferença tem nome, tem fórmula, e dá para conferir em cinco minutos.
- Como a alíquota efetiva funciona, com exemplo resolvido
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